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sábado, 18 de novembro de 2017

Guiné Equatorial | VIRA O DISCO E TOCA OBIANG



Partido no poder há 40 anos volta a vencer eleições na Guiné Equatorial

O Partido Democrático da Guiné Equatotial (PDGE), no poder há 40 anos, ganhou de novo, sem surpresa, as eleições legislativas, para o Senado e municipais de 12 de novembro, segundo resultados oficiais publicados na sexta-feira à noite.
OPDGE e os 14 partidos aliados obtiveram a totalidade dos 75 assentos do Senado e foram eleitos para todas as presidências de municípios do país, anunciou o presidente da comissão eleitoral nacional, Clemente Engonga Nguema Onguene.

Também ganharam 99 dos 100 assentos da Câmara dos Deputados, onde um único deputado da oposição, membro do partido Cidadãos para a Inovação (CI) foi eleito na circunscrição da capital, Malabo.

O CI, que participava pela primeira vez numas eleições e que esperava fazer uma entrada expressiva no parlamento, elegeu um único conselheiro municipal, também em Malabo.

Cerca de 300.000 eleitores da Guiné Equatorial votaram em 12 de novembro na Guiné Equatorial, onde o multipartidarismo foi introduzido em 1991, mas que é dirigido desde 1979 pelo Presidente Teodoro Obiang Nguema, de 74 anos, e o chefe de Estado há mais tempo no poder em todo o mundo.

Responsáveis de partidos da oposição denunciaram múltiplas fraudes e irregularidades no dia da votação em 12 de novembro, quando o acesso à Internet foi cortado e se manteve muito restringido até à divulgação dos resultados.

A Guiné Equatorial integra a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) desde julho de 2014.

Lusa | em Notícias ao Minuto | *Título PG

Casal fugido à justiça de Timor pede para ser extraditado para Portugal



Pedido foi enviado à Procuradoria-Geral da República

Os portugueses Tiago e Fong Fong Guerra, detidos por entrada ilegal na Austrália após terem fugido à justiça de Timor-Leste, solicitaram à Procuradora-Geral da República que peça a sua extradição para Portugal, informou esta sexta-feira o advogado do casal.

O "pedido internacional de extradição para Portugal com detenção provisória" foi enviado à Procuradora-Geral da República portuguesa, Joana Marques Vidal, com conhecimento para a ministra da Justiça, Francisca Van-Dúnem, e para o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, segundo a carta do advogado à qual a Lusa teve acesso.

Os dois portugueses, Tiago Guerra e a sua mulher, Fong Fong Guerra, encontram-se detidos no Northern immigration Detention Centre, em Darwin, "por entrada ilegal no território australiano no passado dia 09 de novembro de 2017".

Ambos tinham sido condenados em agosto por um coletivo de juízes do Tribunal Distrital de Díli a oito anos de prisão efetiva e a uma indemnização de 859 mil dólares por peculato (uso fraudulento de dinheiros públicos). Os portugueses recorreram da sentença, considerando que esta padecia "de nulidades insanáveis" mais comuns em "regimes não democráticos", baseando-se em provas manipuladas e até proibidas.

Tiago e Fong Fong Guerra estavam submetidos a apresentações semanais junto das autoridades timorenses, mas fugiram de barco para a Austrália a 09 de novembro.

Governo garante cumprimento da lei no caso dos portugueses condenados em Timor-Leste



Tiago e Fong Fong Guerra fugiram para a Austrália depois de serem condenados por peculato

O ministro dos Negócios Estrangeiros português garantiu esta sexta-feira (17.11.2017) que a embaixada em Díli respeitou a legislação portuguesa ao atribuir passaportes ao casal Tiago e Fong Fong Guerra, que fugiu para a Austrália depois da condenação por peculato pela justiça timorense.

Na sequência da fuga para a Austrália dos dois cidadãos portugueses, no início deste mês, o chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva, ordenou a realização de um inquérito urgente à Inspeção Geral Diplomática e Consular, cuja conclusão foi entregue esta quinta-feira.

"O inquérito da inspeção verifica que todos os requisitos legais foram cumpridos pela embaixada portuguesa. Hoje mesmo transmiti o teor desse relatório ao meu colega, ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, porque não quero que haja nenhuma dúvida a pairar sobre uma relação bilateral tão boa como é a relação entre Portugal e Timor-Leste", disse hoje à Lusa o ministro português, à margem de uma conferência e inauguração sobre portugueses vítimas de trabalhos forçados na Alemanha nazi, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

O casal Guerra renovou os respetivos cartões de cidadão no início deste ano, e mais recentemente foram emitidos passaportes portugueses, o que motivou críticas na imprensa timorense.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Moçambique | SOMOS UM POVO GENEROSO OU ESTÚPIDO?


@Verdade | Editorial

A cada dia que passa fica evidente que os dirigentes e gestores deste país o único sentido de economia que têm é o de esbanjamento desenfreado dos bens públicos. Não é preciso ser um especialista em economia para prever o abismo em que o povo moçambicano tem sido forçosamente empurrado nos últimos tempos. Basta apenas ter o conhecimento semelhante à de milhares de moçambicanos, sobretudo as donas de casa cujo único sentido de economia que conhecem é o de gerir durante um mês 10 quilos de farinha de milho, cinco litros de óleo vegetal e uma lâmina de carapau congelado com um agregado familiar-tipo em Moçambique com pelo menos cinco pessoas.

Isto vem a proposito de inúmeras situações anormais que temos vindo assistir, não obstante a crise financeira sem precendentes que tem fustigado os bolsos dos moçambicanos. Esta semana, os moçambicanos voltaram a ser surpreendidos com a notícia do aumento dos preços de combustíveis, sofucando mais a população. Como se isso no bastasse, o Governo da Frelimo gastou 560 milhões de meticais na aquisição de aeronave executiva Bombardier, modelo Challenger 850, para para o uso específico do Presidente da República, embora o ministro dos Transportes e Comunicações tenha desmentido essa possibilidade.

Os moçambicanos tem assistido o seu poder de compra a cair de forma drástica quase todos os dias. Além disso, a população debate-se com problemas de falta de transportes, unidades sanitárias, escolas e vias de acesso para o seu bem-estar e o desenvolvimento do país. Porém, o Governo continua em investir em coisas que não traz nenhum benefício para a população, como é o caso da aerona executiva que provocou um rombo nos cofres do Fundo de Desenvolvimento dos Transportes (FTC), instituição subordinado ao Ministério dos Transportes e Comunicações.

Diante de toda essa realidade, incluindo a isenção fiscais de três decadas que se pretende dar a ENI e ANADARKO, deixa qualquer indivíduo atónito e com uma dúvida: ou somos um povo rico, ou um povo generoso, ou um povo rico e generoso. Porque só mesmo um povo rico e generoso dá-se ao luxo de aceitar todas essas situações anormais que postergam o seu desenvolvimento. O mais impressionante é que esta situação verifica-se num país onde pouco mais da metade da população encontra-se numa situação de pobreza extrema.

MOÇAMBIQUE | Governo de Nyusi quer dar 30 anos de isenções fiscais a ENI e ANADARKO


O Governo de Filipe Nyusi aguarda que a Assembleia da República chancele a mudança que fez em Maio último na Lei sobre o Regime Específico de Tributação e Benefícios Fiscais das Operações Petrolíferas para responder à demanda da ENI e da ANARDARKO de obterem três décadas de isenções fiscais nas explorações de gás natural que vão efectuar no Norte de Moçambique. O @Verdade solicitou a relação de todos incentivos fiscais concedidos a estas duas multinacionais mas a Autoridade Tributária respondeu que “é informação classificada”.

Enquanto a Autoridade Tributária aperta o cerco aos pequenos e médios empresários que se esforçam para sobreviver a crise que foi criada e tem sido agravada pelos sucessivos governos do partido o Executivo de Filipe Nyusi continua a distribuir benefícios fiscais pelos chamados grandes investidores que vêm a Moçambique explorar os nossos recursos naturais empregando pouco moçambicanos.

O @Verdade apurou que as ansiadas decisões finais de investimento da ENI, que aconteceu em Junho passado, e da Anadarko, que se aguarda no próximo ano, só acontecem porque o Governo aceitou, para além de isentar ambos investidores do pagamento do Imposto sobre o Valor Acrescentado(IVA) e outras taxas fiscais que não revela pretende manter esses benefícios durantes os 30 anos que vão durar as concessões iniciais.

Para o efeito o @Verdade apurou que o Executivo de Nyusi aprovou a 30 de Maio último, na 18ª sessão ordinária do Conselho de Ministros, a revisão da Lei nº27/2014 que estabelece o Regime Específico de Tributação e de Benefícios Fiscais das Operações Petrolíferas, particularmente o seu artigo 40 que é relativo a “Estabilização”.

Actualmente o artigo em questão possibilita uma negociação de uma “estabilidade de dez anos, a contar da aprovação de um plano de desenvolvimento”. Mas, o @Verdade sabe que por imposição dos investidores, o artigo foi alterado para que a estabilidade só comece a contar no início da produção comercial e não prevê qualquer tipo de negociação basta que a multinacional invista 100 milhões de dólares norte-americanos.

A proposta aprovada pelo Governo e que está no Parlamento para ser aprovada prevê no número 1 “É concedida a estabilidade fiscal, relativamente a incidência, taxas e benefícios fiscais previstos no presente regime fiscal, ao titular do direito de exercício de operações petrolíferas, a partir da atribuição do direito e até 10 anos a contar do início da produção comercial, sem afectar os pressupostos de viabilidade e de rentabilidade do projecto.”

“2. A estabilidade a que se refere o número anterior torna-se efectiva mediante o investimento comprovado do montante equivalente a USD 100.000.000,00 (cem milhões de dólares norte-americanos)” e o número 3 estabelece que “O período de estabilidade fiscal previsto no número 1 do presente artigo pode ser estendido até ao termo da concessão inicial, mediante o pagamento de 2% adicionais à taxa do Imposto sobre a Produção, a partir do décimo primeiro ano de produção.”

CULTURA INDÍGENA NO MPLA!





(Crónica ligeira do momento que passa)

Martinho Júnior | Luanda 

Tem uns que agitam as águas à superfície e são bons, mas há dúvidas que não sejam assimilados que têm tanto a ver com passado!

Tem outros que mergulham às profundezas e agitam as águas que são correntes de profundidade, ainda podem ser ou não assimilados, talvez estejam em mutação, provavelmente podem ser do presente!

Tem finalmente outros que se batem pelas grandes nascentes e esses são, filosoficamente e em relação ao futuro, os indígenas!

Martinho Júnior - Luanda, 17 de Novembro de 2917

Clinton, Assange e a guerra à verdade



John Pilger

Em 16 de Outubro a Australian Broadcasting Corporation (ABC) divulgou uma entrevista com Hillary Clinton: uma das muitas destinadas a promover o seu livro-de-ajuste-de-contas sobre o porquê de não ter sido eleita Presidente dos EUA.

Folhear o livro da Clinton, What Happened (O que aconteceu), é uma experiência desagradável, como uma dor de barriga. Calúnias e lágrimas. Ameaças e inimigos. "Eles" (os eleitores) foram objecto de uma lavagem ao cérebro e foram arrebanhados contra ela pelo odioso Donald Trump com a cumplicidade de eslavos sinistros enviados da grande treva conhecida como Rússia, apoiados por um "niilista" australiano, Julian Assange.

Em The New York Times foi publicada uma notável fotografia de uma jornalista a consolar Clinton, que acabara de entrevistar. A líder perdedora era, acima de tudo, "absolutamente feminista". Os milhares de vidas de mulheres que esta "feminista" destruiu quando no governo – Líbia, Síria, Honduras – eram irrelevantes.

Na revista New York, Rebecca Traister escreveu que Clinton finalmente exprimia "alguma legítima indignação". Até lhe era difícil sorrir: "tão difícil que os músculos da cara lhe doíam". Certamente, concluía, "se atribuíssemos aos ressentimentos das mulheres o mesmo destaque que concedemos aos rancores dos homens, a América seria forçada considerar que todas estas mulheres iradas poderão ter algo a dizer".

Patacoadas deste tipo, trivializando a luta das mulheres, vêm marcando as hagiografias mediáticas de Hillary Clinton. O seu extremismo político e o seu belicismo não têm importância. O seu problema, escreveu Traisler, foi "as pessoas terem-se fixado em seu prejuízo nas histórias dos correios electrónicos". Ou seja, terem-se fixado na verdade.

Os emails divulgados do director de campanha de Clinton, John Podesta, revelaram uma ligação directa entre Clinton e o apoio e financiamento do jihadismo organizado e do Estado Islâmico (ISIS). A fonte principal do terrorismo islâmico, a Arábia Saudita, desempenhou um papel central na sua carreira.

Boaventura: o risco da desimaginação social



Em tempos de crise, capital flerta com hiper individualismo. Segundo sua lógica, competição é o máximo; cabe à cultura, e à religião, aceitar a guerra de todos contra todos

Boaventura de Sousa Santos | Outras Palavras

O social é o conjunto de dimensões da vida coletiva que não podem ser reduzidas à existência e experiência particular dos indivíduos que compõem uma dada sociedade. Esta definição não é neutra. Define o social pela negativa, o que permite atribuir-lhe uma infinidade de atributos que variam de época para época. É, por outro lado, uma definição eurocêntrica porque pressupõe uma distinção categorial entre o social e o indivíduo, uma distinção que, longe de ser universal ou imemorial, é específica da filosofia e da cultura ocidentais, e nestas só se tornou dominante com o racionalismo, o individualismo e o antropocentrismo renascentista do século XV, os quais viriam a ter em Descartes o seu mais brilhante teorizador. Tanto é assim que a máxima expressão desta filosofia–cogito ergo sum, “penso logo existo”– não tem tradução adequada em muitas línguas e culturas não eurocêntricas. Para muitas destas culturas, a existência de um ser individual é não só problemática como absurda. É o caso das filosofias da África austral e do seu conceito fundamental de Ubuntu, que se pode traduzir por “eu sou porque tu és”, ou seja, eu não existo senão na minha relação com outros. Os africanos não precisaram esperar por Heidegger para conceber o ser como ser-com (Mitsein).

Muito esquematicamente, podemos distinguir na cultura eurocêntrica que serviu de base ao capitalismo moderno dois entendimentos extremos do social. De um lado, o entendimento reacionário, que confere total primazia ao indivíduo e o concebe como um ser ameaçado pelo social. Segundo tal lógica, os indivíduos, longe de serem iguais, são naturalmente diferentes e essas diferenças determinam hierarquias que o social deve respeitar e ratificar. Entre essas diferenças, duas são fundamentais: as diferenças de raça e as diferenças de sexo. No outro extremo está o entendimento solidarista, que confere primazia ao social e que o concebe como o conjunto de regras de sociabilidade que neutralizam as desigualdades entre os indivíduos. Entre estes dois extremos foram muitos os entendimentos intermédios, nomeadamente os entendimentos liberais (no plural), que viram no social o garante da igualdade dos indivíduos como ponto de partida, e os entendimentos socialistas (também no plural), que viram no social o garante da igualdade dos indivíduos como ponto de chegada.

domingo, 12 de novembro de 2017

QUAL É A LÓGICA DO CAPITALISMO? | Zillah Branco



Zillah Branco* | opinião

Esta pergunta está na mente da humanidade, da maioria dos seres humanos que não se beneficiam da acumulação do capital nem dos privilégios do acesso à riqueza, nem mesmo da proteção do sistema judiciário institucionalizado. A maioria dos seres humanos hoje está na periferia do sistema.

Se a democracia realmente fosse aplicada no mundo, não seria possível assistirmos os despropósitos declamados pelo Presidente dos Estados Unidos no Japão sugerindo que aquele povo fosse amistoso com ele porque no passado a inimizade não deu bom resultado. Referia-se monstruosamente às duas bombas atômicas que mataram centenas de milhares de civis em Hiroshima e Nagasaki? E ninguém o levou para um manicômio? Nem protestou? O consolo que o mundo tem é ouvir programas divertidos criticando com ironia o Presidente, os políticos norte-americanos a discordarem das grosserias do Presidente, mas que continua a ser "O Presidente" de uma nação que se diz democrática. E que ameaça o mundo com a sua violência e prepotência.

Se a justiça social fosse aplicada de acordo com os princípios democráticos, o golpista Temer, e toda a corja que o apoia, não teria conseguido empobrecer o Brasil vendendo as riquezas patrimoniais como saldo aos amigos oportunistas, e cortado a bolsa família e as leis trabalhistas, além de congelar os orçamentos da saúde, da educação, da segurança social, destruindo a vida e as esperanças dos brasileiros que povoam esta nação!

Se a ética fosse respeitada dignificando os governantes poderosos do mundo desenvolvido, não continuavam a morrer afogados no Mediterrâneo ou no mar Egeu os milhares ou milhões de foragidos dos seus países invadidos pelos terroristas armados pelos imperialistas norte-americanos e europeus que abriram caminho com a OTAN em busca das jazidas de petróleo.

Obiang considera-se "democrata" e espera punição para opositores "violentos"



O Presidente da Guiné Equatorial apresentou-se hoje como um "líder democrático", instantes após ter votado nas eleições legislativas e autárquicas, e pediu a punição da "violência" praticada alegadamente pelos opositores do partido "Cidadãos para a Democracia" (CI).

"O Presidente tem demonstrado ser um democrata que defende a democracia", disse Teodoro Obiang aos jornalistas no antigo edifício das relações exteriores onde votou, falando de si próprio na terceira pessoa: É "um Presidente que está no poder não pela violência, mas pela vontade popular".

Na campanha eleitoral verificaram-se confrontos na localidade de Aconibe entre a polícia e apoiantes do CI, uma situação que Obiang quer ver esclarecida com as instituições judiciais, como disse aos jornalistas logo após ter votado.

"Não é o Presidente que tem de decidir sobre o que há que fazer com as pessoas que não praticam a nossa teoria, mas sim as instituições do Estado: o defensor do povo e o procurador-geral" da República, que devem "penalizar as pessoas que criam instabilidade no país", disse o chefe de Estado, acompanhado da primeira primeira-dama, Constança Obiang Mangue.

O casal presidencial foi recebido pelo presidente da Junta Eleitoral do país e teve direito a um tapete de boas vindas com dois cadeirões no átrio do edifício do ministério.

Eleições/Guiné Equatorial: Sem internet e militares na rua a guardar de perto o ato eleitoral



Malabo, 12 nov (Lusa) - O dia eleitoral, hoje, na Guiné Equatorial, é típico: não há internet, as ruas estão vazias de carros não-credenciados e dois militares armados vigiam de perto cada uma das centenas de mesas de voto, espalhadas por um país onde o álcool está proibido desde sábado.

"Não há internet, é normal aqui", diz Plácido, 17 anos, que usava um 'smartphone' apenas "para fazer chamadas" já há dois dias, porque o 'Facebook' ou o 'WhatsApp' já apresentavam vários problemas, graças à interferência dos serviços de segurança.

A própria televisão do Estado transmite com recurso a cabos, porque não há outra hipótese e porque "no dia das eleições essas são as regras", diz uma jornalista contactada pela Lusa.

Essas regras estendem-se ao resto. Os carros que circulam são apenas as viaturas autorizadas e não há álcool distribuído.

"Hoje à noite já vou poder beber aqui", diz Salvador Assung, instantes depois de votar na esplanada do bar 'Miguel Angel', hoje transformado durante o dia em mesa de voto.

Em cada rua povoada existem várias assembleias de voto devidamente vigiadas cada uma por dois militares armados com metralhadoras.

Cada mesa serve quatro centenas dos 300 mil eleitores espalhados pelo país, um quarto da população de 1,2 milhões.

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE | O Dízimo



Adelino Cardoso Cassandra | Téla Nón | opinião

Soube, há dias, que o governo Santomense, resolveu, de supetão, como habitualmente se faz na nossa terra, sem qualquer estudo, reflexão, amplo debate ou simples apresentação de um projeto fundamentado que alicerçasse tal ambição, criar uma contribuição, (não sei se imposto ou taxa) paga por todos os cidadãos através da fatura da luz, como mecanismo de financiamento do serviço da rádio e televisão públicas.

Isto não é só incompetência ou mediocridade, caracterizador do nosso modus faciendi habitual, tipifica, também, um certo Chico-espertismo promotor da perversão dos valores básicos de um verdadeiro Estado de Direito Democrático.

Já não bastava termos uma televisão e rádio públicas, deprimentes e com pendor imobilista, ao serviço do ADI e do atual governo, agora temos todos que, financiá-la, também, para cumprimento de uma agenda ou propósito político-partidário bem definido.

Faz-me muita confusão a forma como as pessoas aceitam, caladas e ordeiras, como gado adestrado, esta autêntica afronta e engodo, em nome do interesse público, contribuindo com o seu próprio dinheiro e esforço, uma agenda ou necessidade privada, comportando-se como fiéis daquelas igrejas que passam a vida a entregar as suas poupanças aos pastores das mesmas. Isto não é imposto ou taxa nenhuma! É uma espécie de dízimo que, mensalmente, as pessoas entregam, contrariadas ou não, ao pastor, para diariamente terem direito, nas antenas da rádio e televisão públicas, à bênção, banalidades, inaugurações de templos bem como comunicados e proposta pastoral.

Faz algum sentido as pessoas estarem a financiar, com o seu próprio dinheiro, um bem, que, eventualmente, provoca, a médio e longo prazos, impactos indesejados na sociedade sem qualquer relevância para as nossas necessidades ou propósitos como comunidade? Os cidadãos, de uma forma geral, devem contribuir, individual e coletivamente, com os seus esforços financeiros, para a função de propaganda de uma rádio e televisão públicas que simplesmente servem os interesses de uma força política em detrimento das outras?

ELEIÇÕES NA GUINÉ EQUATORIAL | Oposição acusa CPLP de ter "vendido" entrada do país



Malabo, 11 nov (Lusa) - Os principais líderes da oposição na Guiné Equatorial que concorrem nas eleições legislativas de domingo acusaram hoje a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) de ter aceitado "vender" o lugar de país-membro ao Presidente Teodoro Obiang.

"O que houve foi uma venda de um lugar e Obiang pagou a alguém", disse à Lusa Andrés Esono Ondo, líder da Convergência para a Democracia Social (CPDS) e um dos dirigentes da coligação Juntos Podemos que concorre nas eleições legislativas e autárquicas de domingo.

Gabriel Obiang Obono, líder do Cidadãos pela Inovação, concorda com esta análise: "a CPLP foi comprada para permitir a entrada da Guiné Equatorial".

Acusado de vários atentados contra os direitos humanos e de não respeitar os direitos políticos da oposição, ao governo de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, no poder desde 1979, foram impostas apenas três condições de entrada no roteiro aprovado em 2010: colocar o português como língua oficial, promover o ensino do idioma e acabar com a pena de morte.

ELEIÇÕES NA GUINÉ EQUATORIAL | Votação está a decorrer com normalidade - CPLP



Malabo, 12 nov (Lusa) - O líder da missão de observadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) nas autárquicas e legislativas na Guiné Equatorial, Jorge Borges, disse hoje que as eleições estão a decorrer com normalidade.

"Encontrei representantes de vários partidos. [Representantes do partido] "Concidadãos para a inovação" estão em todas as mesas que vi. A votação parece estar a decorrer com normalidade. Veem-se muitas mulheres nas mesas e é visível que há segurança. Mas é uma segurança discreta, não é ostensiva", afirmou à Lusa o diplomata e antigo ministro cabo-verdiano.

Jorge Borges falava na zona de Santa Isabel, em Malabo, capital de Guiné Equatorial, localizada na ilha de Bioko, antiga ilha de Fernando Pó.

Na parte continental da República da Guiné Equatorial estão outras duas equipas da CPLP a acompanhar as eleições de hoje.

"A CPLP está aqui para observar e apresentar recomendações", sublinhou Jorge Borges.

A Guiné Equatorial, antiga colónia portuguesa até 1777 (então conhecida como Fernando Pó), aderiu em 2014 à CPLP com a promessa de ensinar o português - que é língua oficial, embora não seja falada- e de acabar com a pena de morte no país, o que ainda não está regulamentado.

As eleições legislativas e autárquicas de hoje reforçam o poder presidencial do Presidente Teodoro Obiang Nguema, no poder desde 1979.

O partido governamental, Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE), tem 99 dos 100 assentos do atual parlamento que terá um novo modelo, mas tudo indica que a vitória esmagadora deverá manter-se.

Apesar de o país ter 1,2 milhões de habitantes, estão registados somente 300 mil eleitores, uma questão que preocupa os observadores internacionais e a oposição que acusa o Governo de não estar interessado no recenseamento das pessoas.

Concorrem à Câmara de Deputados (câmara baixa), Senado (câmara alta) e às autarquias do país uma coligação alargada liderada pelo Partido Democrático da Guiné Equatorial, a coligação Juntos Podemos (que junta a Convergência para a Democracia Social e a União do Centro Democrático) e o partido Cidadãos pela Inovação, que foi criado a partir de exilados políticos e está legalizado no país desde há dois anos.

PJA/RCS (EL) // ZO

PR timorense evoca "jovens de coragem" no 26.º aniversário do massacre de Santa Cruz





Díli, 12 nov (Lusa) - O Presidente timorense homenageou hoje os "jovens de coragem" que lutaram contra a ocupação indonésia de Timor-Leste, evocando as vítimas do massacre de Santa Cruz, de 1991, e apelando à "tranquilidade e espírito de paz" no atual momento político.

"Para desenvolver o país precisamos de tranquilidade e espírito de paz. As diferenças políticas são naturais em democracia. É natural surgirem diferenças de programas, de atitudes ou opiniões entre pessoas ou grupos", disse Francisco Guterres Lu-Olo, num discurso no maior cemitério da cidade de Díli.

"Como Presidente da República apelo ao diálogo, à moderação no discurso e ao respeito pela dignidade de todos. O desenvolvimento, a criação de empregos, a preparação dos jovens para o futuro requerem um ambiente estável que permita a implementação de políticas estáveis, em todos os setores", insistiu.

Francisco Guterres Lu-Olo falava numa cerimónia evocativa do 26.º aniversário do massacre de Santa Cruz, acontecimento que, por ser filmado pelo jornalista Max Stahl deu a conhecer ao mundo o drama que se vivia com a ocupação indonésia de Timor-Leste.

A intervenção ocorreu num momento de tensão política em Timor-Leste com o Governo minoritário que tomou posse a 15 de setembro, liderado pela Fretilin, a poder cair se a oposição chumbar pela segunda vez o programa do executivo.

"As diferenças políticas não podem parar o desenvolvimento nacional. Isto exige a compreensão de todos para a defesa dos interesses nacionais - os interesses de todos", exortou o chefe de Estado.

"Apelo ao reforço da paz e da estabilidade, e acredito na vossa maturidade política crescente. Só a paz e a estabilidade nos permitem resolver os problemas da juventude e do país. É esta a herança que recebemos pelo sangue derramado pelos nossos jovens a 12 novembro de 1991: a consolidação do espírito nacionalista e da unidade nacional", acrescentou.

Uma multidão concentrou-se hoje no cemitério para recordar um dos momentos mais importantes dos anos finais de luta contra a ocupação indonésia.

A 12 de novembro de 1991 realizou-se uma missa e cerimónia em homenagem de Sebastião Gomes, morto por elementos ligados às forças indonésias uns dias antes no bairro de Motael, e milhares de pessoas dirigiram-se até ao cemitério de Santa Cruz.

Durante o percurso alguns abriram cartazes e faixas de protesto. As forças indonésias responderam com extrema violência, matando mais de 250 pessoas.

As imagens do massacre de Santa Cruz, recolhidas pelo jornalista inglês Max Stahl e que, para muitos marcaram um momento de viragem na questão de Timor-Leste saíram de Díli, dois dias mais tarde, a 14 de novembro de 1991, graças à intervenção da holandesa Saskia Kouwenberg, que escondeu a cassete numa 'bolsa' improvisada entre duas cuecas cosidas uma à outra, conforme contou à agência Lusa.

No seu discurso, o chefe de Estado homenageou quer "o movimento dos jovens de coragem contra a ocupação e violação da dignidade do povo", os "jornalistas e amigos corajosos", como Max Stahl, Allan Nairn, Amy Goodman e Saskia Kouwenberg que "testemunharam e divulgaram os acontecimentos no estrangeiro".

"Saúdo a memória dos jovens mártires e heróis de Santa Cruz que se entregaram à morte e de todos aqueles que deram a vida em outros momentos do nosso processo de luta pela independência", disse.

"Saúdo e estendo o meu sentimento profundo para com todas as famílias enlutadas, cujos filhos e filhas tombaram na luta em defesa da dignidade do povo e da independência da nossa terra, em Santa Cruz e outros lugares", afirmou.

Lu-Olo considerou a "paz e a independência a maior riqueza" que o país recebeu com a luta contra a ocupação, sendo crucial passar para as gerações futuras "o respeito pela dignidade de todos os timorenses, incluindo os jovens".

"No tempo do massacre de Santa Cruz, lutar pela melhoria das condições de vida significava lutar pela liberdade e a independência", considerou.

"Agora, restaurada a independência, lutar pela melhoria das condições de vida significa reforçar a paz para continuar a desenvolver o nosso país e as nossas condições de vida, e propiciar mais bem-estar aos nossos filhos e netos", considerou ainda.

No discurso, o chefe de Estado recordou a importância de dar "atenção máxima às questões de juventude", com renovadas apostas na educação, formação profissional, criação de emprego e melhores condições de vida.

"Timor-Leste precisa de jovens preparados para responder às necessidades do desenvolvimento da agricultura em todo o país. Precisa também de empresas com sucesso, especialmente no setor do turismo, que tem um alto potencial de aumento nos próximos anos", disse.

ASP // ZO

Foto: em Facebook - Unju Da Silva Simões

Massacre impune | MEMÓRIA DE UM DOS MAIORES CRIMES DA HISTÓRIA 26 ANOS DEPOIS



 O Massacre de Santa Cruz em Timor-Leste foi um tiroteio sobre manifestantes pró-independência no cemitério de Santa Cruz em Díli, a 12 de novembro de 1991, durante a ocupação de Timor-Leste pela Indonésia. A maioria das vítimas foram jovens, por isso, depois da independência, passou a ser um feriado, o Dia Nacional da Juventude em Timor Leste. Nesse dia tinha havido uma missa por alma de Sebastião Gomes, um jovem membro da resistência timorense (RENETIL), e havido uma romagem à sua campa no cemitério. Os jovens motivados pela revolta por esse assassinato, manifestaram-se contra os militares da Indonésia com o objetivo de mostrarem o seu apoio à independência do país.

História

Após a invasão de Timor-Leste pela Indonésia em 1975 (então formalmente ainda Timor Português), muitos timorenses se sentiam oprimidos e foram mortos por questões políticas. Desde então, a resistência timorense combateu o exército indonésio. Em outubro de 1991 uma delegação com membros do Parlamento Português e 12 jornalistas planeavam visitar o território de Timor Leste durante a visita do Representante Especial das Nações Unidas para os Direitos Humanos e Tortura, Pieter Kooijmans. O governo Indonésio objetou à inclusão na delegação da jornalista australiana Jill Jolliffe, que apoiava e ajudava o movimento independentista Fretilin, e Portugal, consequentemente, cancelou a ida da delegação. O cancelamento desmoralizou os ativistas independentistas em Timor Leste, que esperavam usar a visita para melhorar a visibilidade internacional da sua causa. As tensões entre as autoridades indonésias e a juventude timorense aumentaram após o cancelamento da visita dos deputados de Portugal. Em 28 de outubro, as tropas indonésias localizaram um grupo de membros da resistência na Igreja de Motael, em Díli. O confronto deu-se entre os ativistas pró-integração e os ativistas independentistas que estavam na Igreja; quando este acabou, um homem de cada lado estava morto. Sebastião Gomes, um apoiante da independência de Timor Leste, foi retirado da Igreja e abatido pela tropa indonésia e o integracionista Afonso Henriques foi atingido e morto durante a luta.

A 12 de novembro, mais de duas mil pessoas marcharam desde a igreja onde se celebrou uma missa em memória de Sebastião Gomes[1] até ao cemitério de Santa Cruz, onde está enterrado, para lhe prestar homenagem. O exército indonésio abriu fogo sobre a população, matando 271 pessoas no local e com 127 a morrer, dos ferimentos, nos dias seguintes.[2] Até 2012, a localização de muitos corpos continua ainda a ser desconhecida.[3]

Alguns manifestantes foram presos e só foram libertados em 1999, por altura do referendo pela independência

Consequências

O massacre foi filmado pelo repórter de imagem Max Stahl, que deu assim uma preciosa ajuda para dar a conhecer ao mundo o que tinha acontecido em Díli. Os acontecimentos foram condenados internacionalmente e chamaram atenção para a causa dos timorenses.[5] Em 1992, Rui Veloso, músico português, compôs e interpretou a música Maubere a favor da causa timorense.

Políticas

No ano de 1991 as Juventudes Timor-Leste foram derrotadas pelas forças indonésias, mas, através deste protesto, os timorenses mostraram a outros países, reconhecidos apoiantes da Indonésia, que Timor-Leste queria se libertar e tornar-se uma nova nação, independente da Indonésia.

12 de novembro de 1991, Timor-Leste vivia este momento trágico da sua história. Paradoxalmente, em relação àquele que foi o seu propósito original, o impacto que teve na opinião pública tornou este fatídico acontecimento num dos mais importantes passos na internacionalização da causa timorense, ao revelar-se ao mundo o sofrimento de um povo.

Depois do evento do massacre de Santa Cruz, quase todos os países passaram a apoiar Timor-Leste e reconheceram o direito da sua população para determinar se Timor-Leste devia ser ou não independente, o que se veio a concretizar com o referendo oito anos depois, em 30 de agosto de 1999.

Dia da Juventude

O Massacre de Santa Cruz, Díli, no dia 12 de novembro de 1991, provocou um grande sofrimento para a juventude timorense. Por causa deste massacre - em que a juventude quis manifestar e demonstrar ao mundo (ONU) que havia discriminação e violação dos Direitos Humanos no território, já desde o início da invasão -, este é considerado o Dia da Juventude em Timor-Leste.

Wikipédia


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Moçambique | O PR SÓ FALA, NÃO AGE



Julio Khosa* | @Verdade | opinião

O projecto de Eduardo Mondlane, em Moçambique, ainda continua sendo um sonho difícil de se alcançar. Refiro-me à unidade nacional. Essa conclusão ocorre-me devido a intolerância política entre nós os moçambicanos. Reina o espírito de aniquilar o outro cujo ser e o pensar são diferentes! Fala-se de paz mas, na verdade não há paz no país.

O chefe do Estado, Filipe Nyusi, é um homem que nos seus discursos encanta o povo. Aparenta ter boas ideias com o objectivo de unir os moçambicanos e trazer uma paz efectiva no país. Em contrapartida, o homem só fala bonito, não age. Já estamos sacturados pelo seu palavreado. Estamos enfadado pelos seus discursos promissores que nunca chegam a ter impacto na vida real. São discursos ilusórios.

Outrora Sua Excelência, Senhor Presidente da Republica, queixava-se das reclamações do povo moçambicano. Dizia que os moçambicanos deviam apresentar soluções. Hoje, os moçambicanos avançam soluções que possam resgatar o país do abismo. Contudo, o chefe do Estado, só fala, não age. O que me espanta é que Ele é de Cabo Delgado. Não é de Sofala! Mas O PR só fala, não age.

O povo já está cansado de promessas. O povo quer acções. Sua Excelência Senhor Presidente da República de Moçambique, deve deixar de falar e agir.

Segundo a nossa Constituição o PR é o mais poderoso do país mas, no caso concreto do senhor Filipe Nyusi, parece não ter poder suficiente para agir. O que é que se passa?

A ignorada revolta haitiana




No Haiti, um dos mais pobres e desiguais países do mundo, levanta-se um movimento popular contra o corrupto regime de Jovenel Moïse, o lacaio do imperialismo de serviço. Afrontando a repressão, transformou-se em mobilização nacional contra a doutrina neoliberal, em clamor popular pela soberania, em exigência de demissão do governo.

A revolta do povo haitiano estalou há dois meses e na comunicação social da classe dominante nem uma notícia. Talvez o critério editorial seja uma escala tanatológica de um para mil em que, para o Haiti ser notícia, é necessário mil haitianos mortos por cada morto estado-unidense. Mas hoje não há terramotos no Haiti e os rodapés dos telejornais voltarão a desfilar fait divers sobre celebridades, futebol, curiosidades avulsas, a grande questão nacional Santana versus Rio e um restaurante em Manchester que dá os restos aos pobres.

Entretanto, por todo o Haiti, o povo desafia nas ruas a proibição de manifestações contra o regime cleptocrata de Jovenel Moïse. O movimento que começou, em Setembro, quando foi apresentado o Orçamento do Estado, como um protesto contra o aumento dos impostos e taxas sobre o trabalho, transformou-se em mobilização nacional contra a doutrina neoliberal, clamor pela soberania e exigência de demissão do governo de Moïse.

ERAM GRILOS!!!



O episódio mais ridículo da história da diplomacia estado-unidense acaba de chegar ao fim. 

A Embaixada dos EUA em Havana acusava os cubanos de terem uma temível arma secreta, a qual atacava os seus diplomatas com um som que lhes provocava náuseas, perdas de equilíbrio e dores de cabeça. Muitos deles tiveram de ser evacuados às pressas do território cubano. 

A tal arma misteriosa seria um segredo tão bem guardado que nem as 27 agências de espionagem dos EUA não conseguiam descobri-la. Mas agora desvenda-se o mistério: a arma que aterrorizava diplomatas americanos eram grilos. O canto destes insectos pode emitir ruídos de até 100 decibeis.

Resistir.info

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Paraísos fiscais continuam apetecíveis e incólumes





Novas revelações comprometem poderosos da política e dos negócios com paraísos fiscais. Os Paradise Papers são um novo episódio numa longa história, mas continuam a faltar medidas para combater a evasão fiscal.

O Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla em inglês) revelou um novo conjunto de documentos obtidos pelo jornal germânico Süddeutsche Zeitung (mais de 13 milhões), que revelam a utilização de esquemas de evasão fiscal através de offshore.

Depois dos Lux Leaks (envolvendo o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker), dos Swiss Leaks e dos Papéis do Panamá, as novas revelações vêm juntar nomes como o dos secretários de Estado, Rex Tillerson, e do Comércio dos EUA, Wilbur Ross, de financiadores das campanhas de Donald Trump e do primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, das rainhas Isabel II (Reino Unido) e Noor (Jordânia), ou de algumas das maiores multinacionais do mundo, como a Apple, a Nike e a Uber.

Os documentos revelam ligações que passam pela Appleby, um escritório de advogados especializado em mediar negócios com empresas offshore no Caribe, sedeado no paraíso fiscal de Bermuda, e pela Asiaciti, uma empresa de gestão de investimentos offshore no Sudeste Asiático, sedeada em Singapura.

Apesar de os Papéis do Panamá já terem sido divulgados há mais de um ano, a investigação jornalística ainda não resultou em alterações substantivas na regulação do sector financeiro e no combate aos paraísos fiscais.

União Europeia pouco faz para combater fuga ao fisco a nível transnacional

O Parlamento Europeu constituiu uma comissão de inquérito, em que participaram quatro deputados portugueses, e fez propostas de alteração à directiva da Comissão Europeia sobre o combate à evasão fiscal, aprovadas em Março. Apesar disso, a eficácia das medidas continuaram largamente dependentes da boa vontade do sector financeiro, já que as entidades reguladores e fiscalizadoras estão amplamente desprovidas de meios técnicos, financeiros e humanos para cumprirem o seu papel.

Vários países da União Europeia têm paraísos fiscais sob a sua jurisidição, como a Holanda, o Reino Unido ou o Luxemburgo. Em Portugal, as empresas registadas no Centro Internacional de Negócios da Madeira beneficiam de uma taxa de imposto sobre o rendimento de 5%, ao contrário dos 21% em vigor no restante território nacional. No caso dos dividendos e mais-valias, é mesmo possível alcançar uma isenção total de impostos.

A existência destas jurisdições tem sido justificada com argumentos de «competitividade fiscal», ainda que resultem em prejuízos fiscais. Nos últimos anos, muitas das maiores empresas portuguesas cotadas em bolsa constituíram sociedades na Holanda, onde a carga fiscal é mais baixa, e através das quais recolhem os lucros das suas actividades em Portugal. Devido à directiva europeia sobre o regime fiscal aplicado a estas sociedades, estão isentas de impostos sobre os dividendos que são canalizados para a Holanda.

Ligações entre BES/GES e jornalistas e políticos ainda escondidas

Ao longo de semanas, o Expresso, onde trabalha um dos jornalistas portugueses que integram o ICIJ, prometeu a divulgação de uma lista de políticos e jornalistas que terão sido avençados  do Grupo Espírito Santo (GES) e do BES. Mais de um ano depois, a lista não foi divulgada pelo semanário, apesar dos protestos do Sindicato dos Jornalistas, pela suspeita lançada e nunca concretizada.

Em Setembro, o sub-director de informação da SIC, José Gomes Ferreira, revelou detalhes sobre a forma como o GES/BES controlova o que se escrevia e dizia sobre os seus negócios nos média. Sob o manto de reuniões de trabalho ou apresentação de resultados, o GES/BES pagava autênticas semanas de férias, ora na neve ora em iates, a alguns dos jornalistas com mais espaço na nossa imprensa em matérias económicas, como o próprio José Gomes Ferreira.


segunda-feira, 6 de novembro de 2017

CATALUNHA | Qual normalidade, Rajoy?



Sofia Lorena*

A intervenção do Governo espanhol na Catalunha justificou-se com a necessidade de “repor a legalidade” e “devolver aos catalães a normalidade” interrompida pelo desafio dos independentistas. Uma semana depois da entrada em vigor dos decretos de aplicação do artigo 155 da Constituição, com a dissolução do parlamento autonómico e a destituição da Generalitat, nas casas e ruas da Catalunha há tudo menos normalidade.

“E se volta a ganhar o independentismo?”, pergunta no seu “blogue contra a DUI” (declaração unilateral de independência) o insuspeito Lluís Bassets, director-adjunto do El País. “Como no banho turco passamos da água a ferver à água gelada”, começa Bassets. “Numa semana pensamos que vamos entrar numa nova normalidade e na seguinte regressamos à tensão máxima. De novo, pesa mais a política das emoções, impulsionada pelo encarceramento de meio governo e a fuga da outra metade”, descreve.

Se é compreensível que Carles Puigdemont, na sua estratégia de defesa, exija saber de Madrid se vai respeitar os resultados das eleições autonómicas marcadas para 21 de Dezembro na Catalunha por Mariano Rajoy, já é menos normal que Bassets precise das mesmas garantias. “Partimos do princípio, a respeito do qual se necessitariam de esclarecimentos bem explícitos por parte da Moncloa, do levantamento do artigo 155 no dia seguinte às eleições”.

Com os saltos entre banhos de água gelada e queimaduras de água a ferver que se prepararam para as próximas semanas, não vale a pena fixarmo-nos demasiado em cada sondagem. Certo é que Rajoy perdeu depressa o respeito e o capital político que conseguira ao transformar o recurso a um artigo muito polémico numa transferência de poderes aparentemente serena e minimizada pela convocatória rápida de eleições. Cansados e confusos, os independentistas só se manifestaram de forma simbólica e a mobilização doutros tempos parecia ter ficado no passado.

Tudo isto desapareceu na quinta-feira, quando a juíza Carmen Lamelas decretou prisão preventiva para o vice-presidente de Puigdemont e líder da ERC, Oriol Junqueras, e oito dos seus ex-conselheiros. A juíza, claro está, é independente. Já o Procurador-Geral que pediu a prisão preventiva “deve obedecer ao Governo em assuntos de Estado”, escreve Joan Tapia, veterano jornalista catalão, ex-director do jornal La Vanguardia, nas páginas do diário El Periódico. A Catalunha “é um assunto de Estado”, insiste.

Tapia sublinha a contradição entre duas decisões judiciais quase simultâneas – enquanto Lamelas mandava meio governo para a prisão, o Tribunal Supremo dava aos seis membros da Mesa do Parlamento catalão uma semana para preparar as suas declarações, uma vez que tinham sido notificados com pouco mais de 24 horas de antecedência.

Há poucos dados adquiridos na Catalunha destes dias. Segundo uma sondagem do La Vanguardia, 80% dos eleitores planeiam ir às urnas em Dezembro. A semana passada, vários analistas garantiam ao PÚBLICO que a participação de 77%, de 2015, nunca seria ultrapassada. Confusos com a fuga de Puigdemont para Bruxelas e a incapacidade para aplicar a independência proclamada, os independentistas poderiam ficar em casa. Agora, com os seus eleitos na prisão, as organizações soberanistas marcam mobilizações diárias e já planeiam uma visita a Bruxelas.

“Os possíveis erros de cálculo do soberanismo são sempre legitimados pela reacção, cega de vingança, do Governo e da Justiça espanhóis”, escreve no diário independentista Ara a directora, Esther Vera. Com o regresso da indignação, “tudo se voltou a envenenar e há questões inquietantes sobre a identidade do agente provocador”, conclui Tapia. “É o pior do pior”.

*em Análise/opinião | Público

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Moçambique | NYUSI, O DESPESISTA FÚTIL E INÚTIL QUE IGNORA CARÊNCIAS DAS POPULAÇÕES



Governo de Nyusi, “orientado por objectivos de redução de custos e no combate ao despesismo”, gasta mais em carros do que em Hospitais

Com medicamentos e outros bens essenciais em falta nos hospitais, escolas por construir, médicos e professores mal pagos, o Governo de Filipe Jacinto Nyusi, que nos prometeu que se iria orientar “por objectivos de redução de custos e no combate ao despesismo”, decidiu comprar mais 45 viaturas para o Ministério que está no epicentro das dívidas ilegais que nos conduziram a actual crise económica e financeira. São mais de 118 milhões de meticais gastos em carros, 24 deles de luxo, que superam todo investimento realizado em 2016 pelo Executivo nos onze Hospitais provinciais de Moçambique.

Os moçambicanos que ainda “confiam” em Filipe Nyusi devem recordar.se que o Presidente prometeu que o seu Executivo seria “orientado por objectivos de redução de custos e no combate ao despesismo. A nossa origem é a de gente simples e trabalhadora. Sabemos, por isso, o valor da contenção de despesas e na aplicação responsável das nossas contas públicas.”

Porém a realidade mostra todos os dias que os discursos do Chefe de Estado não passam de demagogia, a mais recente evidência é que enquanto o povo tenta sobreviver à crise, criada pelos membros do partido Frelimo que ilegalmente endividaram o nosso o Governo, decidiu gastar 118.096.251,14 meticais em viaturas. Não são ambulâncias, carros de bombeiros ou autocarros que tanta falta fazem.

Tratam-se de Mercedes-Benz, Ford Wildtrack, Toyota Land Cruiser 200 VX, Peugeot, Hyundai e carrinhas Ford topo de gama cujo preço supera todo investimento realizado durante o ano de 2016 nos Hospitais centrais de Nampula e Quelimane, e ainda nas unidades sanitárias provinciais de Lichinga, Pemba, Nacala-Porto, Tete, Chimoio, Inhambane, Xai-Xai e Matola, que se cifrou em somente pouco mais de 92 milhões de meticais, de acordo com relatório da Execução Orçamental analisado pelo @Verdade.

A viatura mais barata adquirida pelo Ministério dirigido por Adriano Maleiane, que um dia afirmou no Parlamento que os moçambicanos comiam atum pescado pela EMATUM sem saberem, é um Peugeot 508 que custa aos moçambicanos 1.077.222,22 meticais, muito mais do que todo investimento no Hospital provincial da Matola que no ano passado cifrou-se em 949.940,00 meticais.

PARA UMA CULTURA DE INTELIGÊNCIA EM ANGOLA



Martinho Júnior | Luanda 

1- A ocupação humana do que é hoje o território angolano, concentrando-se o grosso da população (cerca de 75% dos nacionais) num triângulo com base no litoral atlântico e vértice na região central das grandes nascentes (cerca de 25% da área total nacional), é um fenómeno extremamente sensível a levar em consideração por parte dos estudiosos e de quem procure abordar o conhecimento integrado do país.

Esse fenómeno é uma redundante de ordem antropológica e histórica, resultante da relação entre as questões físico-geográficas-ambientais-hidrográficas, com as questões humanas, desde logo as que se prendem com a ocupação vital do território, mas não se resumem só a tal, em função da tardia chegada dos europeus pelo mar.

As migrações bantu chegaram muito antes da chegada dos portugueses e foram sempre continuando, a partir dum trajecto em arco de círculo com origem sobretudo no actual território da Nigéria, que atingia o interior do continente e vinha desembocar mais densamente no planalto central (actualmente Províncias do Huambo e do Bié), ou se dispersavam de norte a sul (da serra da Canda à serra da Chela), pelas montanhas e suas encostas orientais, voltadas a nascente e livres do sol da tarde.

2- Foi a partir do mar que os portugueses chegaram e a escolha da sua implantação redundava desde logo das observações geográficas dos marinheiros e dos problemas logísticos da navegação à vela de longo curso, que se punham às tripulações.

Na costa a sul do portentoso Congo, para que as opções de aguada e a segurança fossem melhor garantidas aos recém-chegados europeus, foi escolhida, como local de abrigo e ancoradouro, a baía de Luanda, que comparativamente a Benguela e mais tarde a Moçâmedes, tinha a vantagem do alargamento à sua latitude da planície do litoral, uma planície bem irrigada e em todo o caso também com uma baixa densidade populacional de ocupação autóctone.

Nas proximidades da baía de Luanda, de norte para sul, fluíam rios como o M’Bridge, o Loge, o Lifune, o Dange, o Bengo, o Cuanza, o Longa e o Queve, ou seja: numa parcela de meridiano com cerca de 300 milhas náuticas, pelo menos 8 opções de água doce.

ANGOLA | A culpa não é da imprensa



Luísa Rogério | Jornal de Angola | opinião

O rapto seguido de assassinato de Beatriz Fernandes, apresentadora da Televisão Pública de Angola (TPA), e do seu acompanhante Jomance Muxito, acirrou a discussão sobre a segurança pública no país com particular incidência em Luanda.

As envolventes no duplo homicídio, amplamente mediatizado e com grande repercussão nas redes sociais, não anulam o factor relevante da equação. Dois seres humanos foram brutalmente assassinados depois de terem sido interceptados na via expresso.

Informações oficiais indicam que os corpos foram localizados no Quilómetro 30, menos de vinte e quatro horas após a família da apresentadora ter dado o alerta para o seu desaparecimento. Às autoridades compete averiguar motivações, detalhes e, naturalmente, encontrar os culpados do duplo homicídio. Tudo o resto é maledicência fomentada por ditos moralistas.

Investigar é a palavra chave de modo a se cumprirem as normas processuais em função da legislação em vigor no país. Os suspeitos devem ser encaminhados para o Tribunal, único órgão habilitado a julgar para que se faça justiça. É precisamente o que as famílias necessitam para recuperarem alguma paz e a sociedade espera, uma vez que as vidas humanas são absolutamente irrecuperáveis.

Almeja-se justiça para todas as vítimas de violência, cujos números aparentam estar em alta. Ocorrências múltiplas de violações, raptos e mortes violentas, principalmente de mulheres, têm sido denunciadas. Embora a polícia desminta o recrudescimento de raptos, supostamente porque a definição destes envolva pedidos de resgates, a verdade é que levar alguém sob coacção é atípico.

Angola defende Espanha unida



O Governo de Angola declara que não reconhece a proclamação unilateral de independência da Região Autónoma da Catalunha ocorrida no passado dia 27 de Outubro e defende a preservação do Estado unitário do Reino da Espanha.

Esta posição do Governo angolano está expressa numa declaração divulgada ontem pela Casa Civil do Presidente da República.
 
Na mesma declaração, Angola apela ao Governo espanhol, à União Europeia e às suas instituições democráticas a encontrarem as melhores vias para a restauração da ordem constitucional e dos direitos de todos os cidadãos espanhóis, na base do diálogo. “Angola e Espanha estabeleceram relações diplomáticas em 1976 e, desde essa data, desenvolvem uma cooperação dinâmica e mutuamente vantajosa em vários domínios, e que pretendemos preservar”, lê-se na declaração do Governo.   

Jornal de Angola | Imagem: Edições Novembro

Angola | A NARRATIVA É DIZER NÃO AO MEDO



Raul Diniz | opinião

Pateticamente João Melo veio agora a tentar atirar areia para os olhos dos angolanos menos atentos, afirmando, que a narrativa da fraude eleitoral começou a ser ventilada há 1 ano. Ainda bem que assim foi, porém, o articulista e fiel escudeiro da verdade insípida no regime, não conseguirá por mais tempo ludibriar o povo sofrido. O povo está atento e não mais partilha da ideia que somente o MPLA nasceu com sabedoria para governar.

Senhores do MPLA, utilizem a vossa vontade a policia criada a imagem do pai banana, cerquem a vossa vontade o país. A nossa resposta firme é dizer não ao medo.

Esta claro que o medo do MPLA é desesperante e grande, O MPLA está assustado, assim ele reza para que as oposições e o povo em geral, lhes concedam o tão desejado pretexto para utilizar a força policial bélica, contra as lideranças da sociedade civil e dos partidos políticos das oposições hoje graças a Deus (UNIDAS) bem unidas.

João Melo terá de entender que o tempo do preto matumbo já passou, esse tempo do medo já era meu kamba. Ninguém mais aqui na banda engole a verborreia discursiva habitual de arquitecto da paz, sobretudo, quando esses discursos são idênticos aos que marcaram o país nas sucessivas fraudes eleitorais desde 1992 até ao presente momento.

Mas, nos dias de hoje, não existe nenhum angolano, nem mesmo aqueles que de uma maneira ou de outra concordaram em utilizar a inútil fraude como elemento surpresa para justificar a ignomínia megalómana intolerável como trampolim para manterem-se no poder, pode-se afirmar com toda certeza, que essa gente não estarão interessados em assassinar friamente mais angolanos para simplesmente manter no poder o tirano JES corrupto, nem mesmo para justificar a permanência do seu auxiliar João Lourenço no poder.