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sábado, 22 de julho de 2017

Portugal | HÁ EMPRESAS E EMPRESAS



Para o Primeiro-Ministro, as privatizações da PT e da CIMPOR, efectuadas com o governo anterior do PSD/CDS, foram desastrosas para o nosso país.

José Alberto Lourenço | AbrilAbril | opinião

Passos Coelho, mostrou-se indignadíssimo com as afirmações proferidas por António Costa no debate do Estado da Nação, do passado dia 12 de Julho, dizendo que nunca antes se tinha visto um Primeiro-Ministro atirar-se assim publicamente contra uma empresa.

Nesse debate, António Costa em resposta às preocupações manifestadas pelo Secretário-Geral do PCP com a situação que se vive na PT, empresa com milhares de trabalhadores ameaçados de despedimento pelo seu actual dono, a Altice, criticou o comportamento da empresa no decorrer dos incêndios de Pedrógão Grande, referindo que foi o operador que mais tempo teve as ligações telefónicas interrompidas.

Solidarizou-se com os seus trabalhadores, que têm uma greve marcada para o próximo dia 21, e deixou clara a sua desconfiança em relação à empresa, afirmando que, por tudo isto, este não é o seu operador de telecomunicações e acabou mesmo por afirmar a sua preocupação em relação ao futuro da empresa.


Para o Primeiro-Ministro, as privatizações da PT e da CIMPOR, efectuadas com o governo anterior do PSD/CDS, foram desastrosas para o nosso país.

CNE: Votação em Timor-Leste decorreu sem incidentes graves, com boa participação



O presidente da Comissão Nacional de Eleições timorense disse que as eleições legislativas de hoje em Timor-Leste decorreram com normalidade, sem incidentes graves, com uma boa participação dos eleitores e a presença "ativa" de fiscais partidários e observadores.

"Em termos gerais, a situação esteve controlada, tudo correu bem, com bom atendimento por parte das autoridades eleitorais", disse Alcino Baris aos jornalistas no centro de imprensa da CNE em Díli.

"Temos uma boa participação, ativa, com a presença de muitos fiscais dos partidos políticos, com observação rigorosa da CNE e com a presença de observadores internacionais e nacionais", explicou.

Segundo explicou, houve apenas situações menores durante o dia, como o atraso ligeiro na votação em dois locais de voto porque acabaram os boletins e tiveram que ser levados mais para o local, sob escolta policial.

Baris falou aos jornalistas quando já está a decorrer a contagem, um processo que só deverá estar concluído oficialmente nos próximos dias.

Lusa | SAPO TL


TIMOR-LESTE | ELEIÇÕES | Urnas fecham e começa o prolongado processo de contagem



António Sampaio (Texto e vídeo), Nuno Veiga (Fotos), da Agência Lusa

Díli, 22 jul (Lusa) - Oficiais eleitorais, sob olhar constante de fiscais partidários e observadores, iniciaram o demorado processo de contagem de votos das eleições legislativas de hoje em Timor-Leste, que deverá tardar vários dias a estar concluído.

Dificuldades tecnológicas, acessos complicados em algumas zonas do país e o próprio sistema - que obriga a vários níveis de verificação de votos antes da certificação nacional e finalmente pelo Tribunal de Recurso - implicam que vai demorar até que haja resultados.

Numa das salas de aulas da Escola 30 de Agosto, próximo da rotunda Nicolau Lobato, de acesso ao aeroporto de Díli, por exemplo, a contagem propriamente dita só começou 80 minutos depois do fecho das urnas.

E para isso foi preciso mudar mobília, colar folhas brancas no quadro e espalhar papeis com o nome de 21 partidos, mais nulos, brancos e rejeitados em mesas de escola onde são visíveis marcas deixadas pelos alunos.

"Azinha love Cristiana", lê-se numa das doze mesas encostadas umas às outras e 'unidas' com fita cola castanha e sobre as quais estão as seis urnas deste centro de votação, o número 384.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Timor-Leste | Eleições | Da euforia da campanha à calma da reflexão, sem cartazes



António Sampaio

Timor-Leste está em período de reflexão para as legislativas de sábado e o melhor símbolo disso, depois da euforia e da festa da campanha, é o vazio dos 'outdoors' gigantes de onde desapareceram os cartazes dos partidos.

Como que por magia desapareceram bandeiras, cartazes e faixas penduradas em casas, edifícios, postes elétricos e em 'outdoors' gigantes em vários pontos da cidade.

Até os autocolantes que foram colocados em paredes ou em postes parecem ter desaparecido numa operação que foi concluída durante a noite de quarta-feira e madrugada de hoje.

Depois de nos últimos dois dias a cidade ter sido dominada por caravanas dos dois maiores partidos do país, o Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT) e a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), hoje Díli recuperou a normalidade urbana.

Visíveis são já os sinais do que será o arranque da grande mobilidade para o voto. Estima-se que cerca de metade dos eleitores timorenses se desloquem para votar no sábado, alguns para zonas ou locais mais remotos.

Portugal | DA NOITE PARA O DIA



Manuel Carvalho da Silva | Jornal de Notícias | opinião

No início de 2016, podíamos ter esperança, mas não sabíamos se Portugal iria resistir ao autêntico assédio da União Europeia e de outros credores contra a nova maioria parlamentar e respetiva solução governativa e, por arrasto, contra o país. As interrogações dos portugueses perante uma solução nova e inovadora e, acima de tudo, as cargas de desconfiança que a Direita e Cavaco Silva colocavam na "geringonça" traziam para a sociedade uma perspetiva de possível falhanço.

Quando se observam as pontuais mas significativas melhorias das condições de vida de milhões de portugueses, as alterações nos indicadores económicos ou nos níveis de confiança em vários campos, só podemos concluir que, desde o outono de 2015 até à passada quarta-feira, dia em que a Assembleia da República (AR) discutiu o Estado da Nação, a mudança é quase da noite para o dia, mesmo que esse dia não seja, e não é, de céu limpo. Não há razões para pessimismo perante nuvens provocadas por problemas conjunturais, mas de forma alguma nos podemos deslumbrar. É caso para dizer que, por detrás do desafogo que permite respirar melhor, há mesmo diabos à espera de oportunidade.

O desemprego apesar de vir diminuindo mantém-se elevado, continuando a impelir os jovens para a emigração e a impedir regressos. A dívida mantém-se muito alta, constituindo um grave problema estrutural que, de forma alguma, pode ser escamoteado. Os salários continuam muito baixos para a maioria dos portugueses e as precariedades acentuam-se. Existem claros indícios de dinâmicas especulativas no setor imobiliário, pelo menos nas grandes cidades, que dificultam a vida a quem procura habitação e podem degenerar em "bolhas", diferentes das anteriores nas causas mas semelhantes nas consequências.

Nuvens | ADN DOS MILITARES DE HITLER NA FRANÇA OCUPADA ESTÃO NOS "CÉUS" DA ALTICE?


Valdemar Cruz serviu hoje o Expresso Curto. Aborda muitos temas. Ele nunca se fez rogado. Avante. De tanto que serve selecionamos a PT, MEO… Por outras palavras: os esclavagistas e negreiros da Altice. Este foi um negócio de Passos Coelho e aqui está à vista – excepto o que ainda está escondido – o negócio que fez. Provavelmente quando deixar a política mais ativa tem por ali cargo assegurado. Nunca se sabe. Negócios são negócios. A seu tempo veremos se o palpite é certo ou errado. Passo ou outro da mesma espécie. Eles são tantos!

Pois esses tais negreiros e esclavagistas a que chamam CEO já estão a somar quase 2 mil despedimentos, e querem isto e aquilo. Até já foi declarado por um destes mastodontes do capitalismo selvagem que o ideal era não ter de pagar ordenados aos empregados… Com a tal mentalidade fascistóide vê-se mesmo que é parceiro de Passos, de Cavaco e de mais uns quantos que por aí abundam e nos tramam. O que o tal CEO quer é que trabalhem de borla. Empresa franco-israelita… Há gente mesmo feia, porca, má… e judia. Quanto aos francos, o chauvinismo prevalece e o ADN ali deixado pelos homens de Hitler, no truca-truca às francesas, é, provavelmente, responsável pela herança nazi de algum destes CEO. Pois. E os céus não querem esperar. De uma assentada vão despedir 2 mil empregados, pelo menos. É o que já estimam os mais pessimistas. E é provável, se o governo, os trabalhadores, os sindicatos, alguém, não lhes souber pôr um travão e lhes der um grande pontapé nos traseiros.

Leia mais em produto eleborado por Valdemar Cruz e ainda uma peça que está a seguir ao Curto, da lavra de Anabela Campos, também do Expresso. Eis o título: “O posto de trabalho é MEO”: modelo da Altice e trabalhadores transferidos motiva greve histórica

Se continuar a ler vai ficar esclarecido, por agora.

MM | PG

“O posto de trabalho é MEO”: modelo da Altice e trabalhadores transferidos motiva greve histórica



Desde 2006 que os trabalhadores da PT não se mobilizam para uma greve geral contra as condições de trabalho - voltam a fazê-lo esta sexta-feira. Temem despedimento em massa, querem regresso dos trabalhadores à MEO e dizem que há um ambiente intimidatório. BE fala em “faroeste laboral” por parte da Altice. PCP defende a recuperação do controlo público da PT

Os trabalhadores da PT, empresa controlada pela franco-israelita Altice, vão estar esta sexta-feira na rua a protestar contra as novas condições de trabalho e a transmissibilidade de trabalhadores da PT para empresas externas à operadora, uma estratégia de gestão iniciada recentemente. Os trabalhadores temem que este seja o princípio de um processo que poderá levar a um elevado número de despedimentos. O Expresso noticiou, recorde-se, que a Altice chegou a contactar o Governo no sentido de perceber qual a recetividade para avançar com um processo de rescisão bem acima das quotas atuais. Em causa estaria a saída de cerca de três mil trabalhadores.

“Há uma grande motivação para participar na greve geral com o objetivo de contestar o atual modelo de gestão. Apesar do ambiente intimidatório na empresa, acreditamos que irá pesar mais a vontade de fazer greve e lutar por um futuro melhor do que o ambiente persecutório sentido pelos trabalhadores”, diz Francisco Gonçalves, membro da direção da comissão de trabalhadores da PT. “Esta utilização da lei leva à precarização dos trabalhadores e gera preocupação. Até agora foram transferidas, através da figura da transmissibilidade, 155 trabalhadores para outras empresas, e não acreditamos que fique por aqui. Por isso, não descansaremos enquanto estes trabalhadores não regressarem à MEO.”

EUA, ESTADO DAS GUERRAS



Nicolas J. S. Davies [*]

Cada país destruído ou desestabilizado pela ação militar dos EUA é agora terreno fértil para o terrorismo.

Este é o estado de guerra nos Estados Unidos em julho de 2017.

A campanha de bombardeamentos dos EUA no Iraque e na Síria tornou-se a mais severa desde os bombardeamentos do Vietname, Camboja e Laos nos anos 1960-70, com 84 mil bombas e mísseis lançados entre 2014 e no final de maio de 2017. Quase o triplo das 29.200 bombas e mísseis lançados no Iraque na campanha "Choque e Pavor" ("Shock and Awe") de 2003.

A administração Obama procedeu à escalada de bombardeamentos em outubro passado, quando se iniciou o assalto americano-iraquiano a Mossul, sendo lançadas 12 290 bombas e mísseis entre outubro e o final de Janeiro quando Presidente Obama deixou o cargo. A administração de Trump agravou ainda mais a campanha, lançando 14 965 bombas e mísseis desde o primeiro dia de fevereiro. Maio pode vir a ser o mês de mais intensos bombardeamentos, com 4 374 bombas e mísseis lançados.

O grupo de monitorização Airwars.org, baseado no Reino Unido, elaborou relatórios em que entre 12 mil e 18 mil civis foram mortos durante quase três anos de bombardeamento norte-americano no Iraque e na Síria. Estes relatórios só podem ser a ponta do iceberg, o verdadeiro número de civis mortos pode muito bem ultrapassar os 100 mil, com base na relação típica entre mortes relatadas e mortes reais em anteriores zonas de guerra.

PÓS-CAPITALISMO: A DIMENSÃO SENSÍVEL



Qualquer projeto político precisa propor, também, outros modos de sentir e desejar. Como superar a competição perpétua, acumulação obsessiva e banalização dos afetos que caracterizam o neoliberalismo?

Amador Fernández-Savater | Outras Palavras | Tradução: Inês Castilho | Imagem:Henri Cartier-Bresson

Nos anos 70, o cineasta italiano Pier Paolo Pasolini propôs pensar o conflito político como uma disputa fundamentalmente antropológica: entre diferentes modos de ser, sensibilidades, ideias de felicidade. Uma força política não é nada (não tem nenhuma força) se não se enraiza em um “mundo” que rivalize com o dominante em termos de formas de vida desejáveis.

Enquanto os “homens políticos” de seu tempo (dirigentes de partido, militantes de vanguarda, teóricos críticos) miravam o poder estatal como o lugar privilegiado para a transformação social (toma-se o poder e muda-se a sociedade a partir de cima), Pasolini advertia – com sensibilidade poética, isto é, sismográfica – que o capitalismo estava avançando mediante um processo de “homologação cultural” que arruinava os “outros mundos” (campesinos, proletários, subproletários), contagiando os valores e modelos de consumo “horizontalmente”: através da moda, da publicidade, da informação, da televisão, da cultura de massas etc. O novo poder não emana, irradia ou desce de um lugar central, antes se propaga “indiretamente, na vivência, no existencial, no concreto”, dizia Pasolini.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

O PIDE CAVACO AINDA HOJE FAZ ALMAS FICAREM PARVAS! UM PIDE CONDECORADO?



Saiu do ADN de Marcelo, presidente de Portugal, e ainda hão-se sair mais atitudes e decisões coladinhas à direita fascista. Que foi o que tivemos por 50 anos em Portuigal. Leiam com atenção: “O Presidente da República destacou hoje a presença de três chefes de Estado portugueses na entrega do Prémio Internacional Calouste Gulbenkian "Direitos Humanos", que disse "representarem a continuidade do Estado" no apoio a esta causa.” Cavaco ligado à causa dos Direitos Humanos? Onde? Como? Quando? Um PIDE não tem nada que ver com essa causa!

Nunca!

Fica a notícia. Escarrapachada, para vergonha de Marcelo - se a tivesse - e atá dos que ombrearam Cavaco, o PIDE, sem recusa, sem rebuço, sem valorizarem a democracia, a liberdade, a justiça, preferindo aceitar ladear um filho do chiqueiro fascista de Salazar, integrante da PIDE criminosa.

Nunca um PIDE, da polícia política de Salazar, pensaria ser condecorado por tão nobre causa. Mas Cavaco foi. Mas Cavaco é. Mas Cavaco, agente da PIDE, é sistemática e inutilmente "lavado", até morrer – independente de ela estar extinta no papel. E, em Portugal há os que não têm vergonha em eleger e promover um sabujo e pidesco contribuinte dos tornicionários da nefasta polícia política. Nem sequer um PR (Marcelo) antes em estado de graça para alguns, que mostra descaradamente os seus tiques, quer queiramos ou não. Confiança em tal sujeito? Tanta como em Cavaco. Nenhuma? Só de vez em quando e com muito cuidado.

Cavaco ainda hoje, apesar de cadáver, igual a Passos e aos do seu burgo anti-Pátria Democrática e justa, vê-se ser condecorado por Direitos Humanos… Nada fez em prol dos ditos. Antes pelo contrário.

Dito e feito está este breve comentário. Chafurdar em Cavaco represente odores pestilentos... e isso nunca mais queremos respirar. Nem ser vítimas. Continuem a ler e mais saberão.

MM / PG

POLÍTICOS DE PORTUGAL E DOS ARREDORES



Valioso, é como definimos este Expresso Curto de Miguel Cadete. Ele atira-se aos impostos e refere o tal aumento brutal de impostos do Gaspar para fazer notar a transformação da “perspetiva dos contribuintes” e o “grau de exigência” que têm em relação ao Estado. Que não há estatísticas e tal… Pois, como diz o MM.

Vai dizer-se aqui: É tudo muito bonitinho mas é facto que os portugueses continuam com a habitual sensação de que estão a ser roubados por bandos de salafrários instalados na política e suas ilhargas, por banqueiros perversos e empresários do mesmo jaez… O Zé Povinho o que pensa é que as moscas mudaram (alguma coisa) mas que a trampa é a mesma. Pois é, “mister” Cadete, talvez isto não se aprenda nas universidades, mas é simples se frequentarem a “escola prática do povo”, dos que constroem e produzem, que se estafam para receber coices e salários de miséria. Ah, mas os Cadetes deste país e deste mundo disso nada sabem. Nem querem saber. Botam palavras e lá vai disto. E a culpa não é dos Cadetes, nem dos Passos, nem dos Cavacos, nem de outros doutos. A culpa vai inteirinha para os povos que permitem este estado de parasitismo de fazer cabeças. De impingir marasmo, alheamento, consentimento, acomodação, paz podre. Isso até se aprende nos folhetins do Mau-Mau sobre ação-psicologica de cordel dos anos passados a estudarem como deviam controlar os trouxas para os roubarem, para lhes roubarem a dignidade, direitos, liberdades e garantias. Deixamos que nos ponham de cu ao léu e nos besuntem com óleo de linhaça (mais barato) em vez de vaselina… E depois dói. Ora vejam lá como Passos/Portas/Cavaco nos rebentou violentamente. Doeu e ainda dói. Há até os que ainda nem se conseguem sentar numa cadeira de lá de casa… Porque não têm cadeira, não têm casa. Nada. Perderam tudo. Foi tudo roubado para alimentar os banqueiros, os bancos, os ladrões do costume. Está a ser uma grande negociata. O Costa só está a meter água na fervura e isso até interessa aos Passos e quejandos, não vá o Zé Povinho inspirar a mostarda pelo nariz e linchá-los. Credo. Nem tanto ao mar… nem tanto à terra que os há-de comer depois de tantas práticas comprovadas no banditismo político e económico, entre outras práticas coletivamente nocivas…

Basta por agora. A conversa vai sempre dar ao mesmo. Sobre Portugal e os Arredores. Já causa náuseas. Leiam o senhor Cadete, sobre esses tais políticos e sobre o resto… Vale a pena e a alma é grande.

Bom dia, se conseguirem esmiuçar um dia bom.

CT | PG

TIMOR-LESTE VIVEU A CAMPANHA ELEITORAL MAIS TRANQUILA DE SEMPRE - autoridades



Díli, 19 jul (Lusa) - A campanha para as eleições legislativas de sábado em Timor-Leste foi a mais tranquila de sempre na história do país, sem incidentes ou irregularidades graves, segundo as autoridades policiais e eleitorais ouvidas pela Lusa.

"Correu tudo muito bem. Durante toda a campanha quase não se registaram incidentes", disse à Lusa Julio Hornay, comandante da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL).

"Esta foi a campanha mas pacífica, mais tranquila de sempre", garantiu.

A campanha para o voto de sábado, que termina hoje, começou a 20 de junho com as 21 forças políticas concorrentes ao sufrágio a realizarem ações quase diariamente um pouco por todo o país.

Mesmo em situações em que caravanas partidárias se cruzaram não se registaram problemas.

Hornay explicou que apenas houve relatos de um incidente ligeiro "que ficou resolvido em cinco minutos, em Viqueque" e de "um grupo de jovens apoiantes de um partido que andavam em Baucau à noite a fazer barulho com as motas".

O responsável policial explicou que, apesar disso, o dispositivo de segurança vai continuar destacado no terreno, "durante todo o período de votação, de contagem e depois até á publicação dos resultados" finais pelo Tribunal de Recurso, o que deve ocorrer apenas no início de agosto.

Concretização dos sonhos populares com P-CNRT



Roger Rafael Soares * | opinião

Durante o período de campanha eleitoral, a opinião publica procurou trazer ao púbico os assuntos ligados à preocupação popular, tal como: corrupção, no qual através desta tenta apontar o dedo aos governantes, acusando-os da postura passiva em não dar respostas concretas a estas mesmas preocupações. Quanto a isso, temos que admitir que os discursos apresentados, não passam de manobra e estratégia politica que tem por objetivo único, atacar e atingir àqueles que, ao longo deste tempo se esforçou com toda a energia para trazer à tona soluções concretas.  É bom relembrar à aqueles que por acaso não têm a memoria que, ao longo deste tempo, o partido CNRT no governo já tem feito vários esforços através da criação de vários projetos de lei e propostas de resoluções em relação a esta matéria. Deste modo o partido CNRT precisa relembrar à opinião publica que o CNRT tem procurado combater a corrupção, tendo para o efeito proporcionado e criado mecanismos e instrumentos de combate à corrupção. É preciso relembrar à opinião publica da criação da Comissão Anticorrupção em 2009. Comissão essa que pretende dotar o Estado de polícia criminal especializada, independente, que na sua atuação se conduza apenas por critérios de legalidade e objetividade, em articulação com as autoridades competentes, como é indispensável para a sua credibilidade enquanto mecanismo de combate à corrupção.

É preciso relembrar à opinião publica da criação do um portal de transparência, “Portal de Transparência de Timor-Leste”, que permite acompanhar a execução do orçamento do estado. E da implementação do sistema free balance a fim de monitorizar Todas as despesas do Estado diariamente. É preciso relembrar à opinião publica que o Fundo Soberano de Timor é um dos Fundos Soberanos de Riqueza com melhor desempenho do mundo. E estes factos servem de resposta a todos aqueles que alegam que o CNRT interfere no processo de transparência e gestão dos dinheiros e contas públicas. É preciso relembrar à opinião publica, que de facto têm demonstrado ter uma memória muito curta, que o CNRT tem lutado pela defesa do bem comum, do interesse nacional, e, portanto, o CNRT tem tratado dos assuntos, dos problemas e desafios numa ótica de interesse nacional. Precisamos dizer ao povo que o CNRT nesta campanha e durante debate politico entre partidos tem abordado todos os assuntos numa ótica de interesse nacional e não numa ótica de interesse eleitoral.

Aquilo que o CNRT quer para estas eleições é que o povo continue do nosso lado, para juntos podermos continuar a desenvolver o país, continuar a dar benefícios ao povo. Para que os mais frágeis, os idosos, mães, crianças, veteranos, continuem a receber as suas pensões. Para que continuemos a garantir a estabilidade e a segurança, para que se continue a fortificar ainda mais o nosso Estado social na saúde e na educação, etc. Na continuação a consolidar a todo o território a infraestrutura básicas, como: estradas, aoto-estradas, pontes, portos e aeroportos, na continuação de promoção do sector privado através de criação de sistema bancário que vise financiar o nosso sector privado. Na continuação afirmar a nossa identidade perante região e o mundo, tais como adesão a ASEAN e outras organizações internacionais. Na continuação da defesa e na luta pela nossa soberania marítima, terrestre e aéreo.

Mas também temos a consciência de que há muito para se fazer, e é nessa base que o CNRT agirá e atuará perante os problemas e os desafios, pois nós não viramos a cara às necessidades, problemas e às questões de interesse nacional. O CNRT existe para servir a Nação e o Povo. O projeto político do CNRT é um projeto a pensar no futuro, a pensar na melhoria das condições do povo, na melhoria das infraestruturas, no desenvolvimento do país.

Rojer Rafael T. Soares
Ailili, Manatuto.

Também publicado em TIMOR AGORA em parceria com Página Global

Sociedade civil timorense denuncia esboço de nova política de planeamento familiar



Díli, 19 jul (Lusa) - Jovens e dirigentes da sociedade civil timorense manifestaram hoje preocupação com o esboço da nova política de planeamento familiar de Timor-Leste que, entre outros aspetos polémicos, sugere que esses métodos sejam disponibilizados apenas para casais.

A avançar no conteúdo atual, refere uma petição e uma carta aberta dirigida ao primeiro-ministro, Rui Maria de Araújo, a política terá "um impacto negativo e afetaria os direitos de todos, especialmente jovens, pessoas não casadas e mulheres nas zonas rurais".

O rascunho determina, por exemplo, que as mulheres só podem ter acesso aos métodos de contraceção ou de planeamento familiar se forem a uma clínica com os maridos.

Segundo os apoiantes da carta aberta, este tipo de medidas são introduzidas no texto devido à influência no debate de vários dirigentes religiosos.

Nas redes sociais circularam, por exemplo, imagens do debate público deste tema em que na mesa estavam apenas dois religiosos, um católico e um protestante. O debate, sobre o qual a imprensa não foi informada, passou despercebido ao ser realizado quando todo o país está em campanha eleitoral.

Supervisão e fiscalização do processo eleitoral em Timor-Leste: da teoria à prática



M. Azancot deMenezes | Jornal Tornado | opinião

No dia 22 de Julho realizar-se-ão as próximas eleições legislativas em Timor-Leste, conforme obriga a constituição da República Democrática de Timor-Leste no seu Artigo 65.º (Eleições).

Em contexto de estudos de fenómenos sociais, como defendem os autores Raymond Quivy e Luc Van Campenhoudt, é imperioso que se formule uma (boa) pergunta de partida, para se garantir a ruptura com ideias pré-concebidas e o sucesso dos resultados da análise, pelo que, no âmbito desta breve reflexão de âmbito eleitoral e político que me proponho partilhar no âmbito das eleições legislativas em Timor-Leste, numa perspectiva de questionamento, começo por perguntar:

Será que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Timor-Leste, um órgão eleitoral de supervisão, independente por exigência da Constituição, conseguirá garantir um processo eleitoral verdadeiramente justo, livre e transparente?

Aliás, como corolário desta pergunta geral, para ponderação de todos, timorenses e não timorenses, julgo pertinente acrescentar algumas questões orientadoras:

O trabalho de supervisão que está a ser desenvolvido pela CNE está a garantir a igualdade de oportunidades e de tratamento das diversas candidaturas?

O trabalho de supervisão que está a ser desenvolvido pela CNE está a garantir a transparência e fiscalização das contas eleitorais?

Os partidos políticos da oposição têm condições objectivas para fiscalizar as eleições na Austrália, na Coreia do Sul, em Portugal e no Reino Unido? Quem irá fiscalizar a contagem dos votos e a tabulação dos resultados no estrangeiro? Os funcionários diplomáticos e o pessoal do STAE da total confiança governamental?

Num contexto em que o presidente e o secretário-executivo da CNE são militantes dos partidos políticos que estão no actual governo e que o Secretariado Técnico Eleitoral (STAE) está totalmente dependente do Ministério da Administração Estatal, será que haverá imparcialidade nas eleições, na contagem dos votos e na tabulação dos resultados?

Apesar de todos sabermos que o mandato anterior da CNE, válido até 2019, ter sido violado, dando lugar à actual presidência da CNE, estas questões são aqui constituídas apenas numa perspectiva de problematização, e não de suspeição, e muito menos de acusação, mas que devem ser colocadas, até para constar em memórias actuais e futuras, e para desenvolvermos na nossa democracia o pensamento crítico, principalmente num contexto em que se verifica o silêncio que começa a ser habitual dos observadores eleitorais.


1. Os órgãos eleitos de soberania e do poder local são escolhidos através de eleições, mediante o sufrágio universal, livre, directo, secreto, pessoal e periódico.

2. O recenseamento eleitoral é obrigatório, oficioso, único e universal, sendo actualizado para cada eleição.

3. As campanhas eleitorais regem-se pelos seguintes princípios:

a) Liberdade de propaganda eleitoral;

b) Igualdade de oportunidades e de tratamento das diversas candidaturas;

c) Transparência e fiscalização das contas eleitorais.

4. A conversão dos votos em mandatos obedece ao sistema de representação proporcional.

5. O processo eleitoral é regulado por lei.

6. A supervisão do recenseamento e dos actos eleitorais cabe a um órgão independente, cujas competências, composição, organização e funcionamento são fixados por lei.

M. AZANCOT DE MENEZES - Secretário-Geral do PS Timor e Professor na Universidade de Díli (UNDIL) | Também colabora no Timor Agora e no Página Global.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Moçambique: Violência contra garimpeiros nas minas de rubis de Namanhumbir



Imagens nas redes sociais mostram polícia moçambicana a torturar garimpeiros das minas de rubis em Namanhumbir, Montepuez, na província nortenha de Cabo Delgado. Poderá ser um caso de violação dos direitos humanos.

As imagens foram postas a circular nas redes sociais e é notório o nível de tortura a que os garimpeiros nas minas de rubis de Namanhumbiri foram sujeitos. Para os defensores dos direitos humanos, a imagem de Moçambique fica mais uma vez manchada neste cenário.

São imagens chocantes que, para o presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, Custódio Duma, independentemente das irregularidades que os garimpeiros cometeram, "aquele tipo de atitudes são hoje condenáveis. Não se percebe [estas atitudes], em pleno século XXI". Considera que a polícia devia ter agido de outra forma: "independentemente da situação que aconteceu no local aquele não é o tratamento que se deve dar àqueles cidadãos".

Este caso é mais uma batata quente para o Ministério Público. Aliás, Custódio Duma não tem dúvidas de que os polícias não receberam ordens para praticar aqueles atos. Por um lado, "eles mesmos quebraram o código disciplinar e, por outro, aquilo que está a acontecer ali é tortura", classifica, acrescentando que por se tratar de um crime "o comando terá de aplicar medidas disciplinares”.

Direitos humanos são um desafio em Moçambique

Estes atos revelam que Moçambique ainda enfrenta muitos desafios sob o ponto de vista da defesa dos direitos humanos, diz ainda Custódio Duma. "O que temos de fazer é evitar que estas situações aconteçam e ao acontecerem estão a criar mais espaços para a crítica e a colocar o país numa situação não muito favorável”, alerta.

A presidente da Liga dos Direitos Humanos, Alice Mabote, apesar de ainda não ter tido acesso às imagens, refere que não surpreendem porque a polícia sempre recorreu ao uso excessivo da força, com a qual discorda. "Isso preocupa-nos. Eles acham-se os donos da terra e a melhor forma de retirar as pessoas é usar armas excessivamente, é complicado.”

Leis obrigam à diminuição do excesso de repressão

Alice Mabote refere que o país gosta de ser manchado internacionalmente no que diz respeito aos direitos humanos. Acredita que "uma das melhores formas que se podia fazer é questionar o ministro da Justiça e Assuntos Constitucionais, tendo em consideração que a revisão periódica da legislação recomenda a algumas medidas para diminuir o uso excessivo da força”, sugere.

Este cenário acontece numa altura em que a Comissão dos Direitos Humanos e Legalidade do Parlamento moçambicano iniciou nesta terça-feira (18.07) um debate sobre a revisão da legislação penal.

A revisão visa inserir a preocupação com a dignidade humana e o respeito pelos direitos humanos em Moçambique.

Romeu da Silva (Maputo) | Deutsche Welle

Moçambique: Auditoria às dívidas prova que projetos serviram para "financiar outras operações"



Os projetos da EMATUM, MAM e Proíndicus não foram concebidos para gerar rendimentos, segundo Luís Magaço. O economista entende que a solução para as chamadas dívidas ocultas passa pela venda do património das empresas.

Uma auditoria independente levada a cabo pela consultora Kroll, que terminou no início de julho, não é conclusiva sobre o destino dos cerca de dois mil milhões de dólares concedidos em empréstimos às empresas Proíndicus, Mozambique Asset Management (MAM) e Empresa Moçambicana de Atum (EMATUM).

A auditoria foi imposta pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), como condição para a manutenção da cooperação entre o país e os seus parceiros internacionais. O organismo rumou até Maputo a 10 de julho para discutir com o Governo moçambicano os resultados desta auditoria, numa missão que termina esta quarta-feira (19.07).

Em entrevista à DW África, Luís Magaço, economista moçambicano, considera que estes projetos "foram concebidos para sustentar a necessidade de financiamento de outras operações" e que a "falta de rendimentos do gás" terá tido um impacto significativo na gestão desta dívida. 

O economista defende ainda que o único caminho para evitar sobrecarregar o Governo moçambicano com esta dívida é "desmantelar as três empresas" que considera não estarem adequadas ao panorama económico de Moçambique, e que a situação manter-se-á "complicada" até à retoma da ajuda dos parceiros internacionais.

Angola com o menor acesso a água potável entre os países lusófonos



Angola é, dos nove Estados lusófonos, o país com menor acesso a água potável 'per capita', com Portugal (100%) e Brasil (97%) no polo oposto, indicou a ONU.

Num relatório do Programa Conjunto de Monitorização das Nações Unidas, elaborado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS), são analisadas as situações, até 2016, da água potável, saneamento e higiene em mais de 200 países e territórios.

O documento faz a comparação entre a evolução registada em cada um dos nove países lusófonos - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste - entre 2000 e 2015, tendo também em conta o respetivo aumento da população.

No quadro deste período, é referido também o aumento da população nas zonas urbanas, o acesso a água que dista mais de 30 minutos do local de residência, água não melhorada e água proveniente da superfície, como rios e lagos, entre outras fontes.

Acesso à água potável na CPLP 

No acesso a água potável canalizada, Cabo Verde surge em terceiro lugar entre os lusófonos (subiu de 78% em 2000 para 86% em 2015), à frente de São Tomé e Príncipe (de 67% para 80% no mesmo período), Timor-Leste (não havia dados disponíveis em 2000, mas em 2015 tinha 70%), Guiné-Bissau (de 53% para 69%) e Moçambique (de 22% para 47%).

No mesmo período, Angola subiu de 38% para 41%, enquanto o Brasil passou dos 94% para 97% e Portugal de 99% para 100%.

terça-feira, 18 de julho de 2017

UMA OBRA DOS MERCENÁRIOS DA TERAPIA NEOLIBERAL EM ANGOLA!...



António Jorge *, Luanda

A terapia neoliberal, parida a partir de Bicesse, trouxe para Angola, entre outras coisas, os processos expeditos da assimilação que os actuais dirigentes do Ministério da Educação do governo angolano estão a "homologar" sem que voz alguma, à excepção das nossas (do camarada António Jorge, em jeito pedagógico e da minha, neste tom crítico e agreste) se levantem face às imensas cargas de alienação que esse tipo de procedimentos comporta!...

A corrupção de facto, nunca será combatida por um só homem, nem nunca compreendida pelo povo, como se vê.

Entre outras razões porque também a comunicação é manipulada, não esclarece... aliena e embrutece.

O combate à corrupção só é possível dentro de um Estado com outra ideologia em que a verdade e a moral, não sejam elementos transacionáveis pelo poder do dinheiro e da política representante dos interesses das classes dominantes e que transformam pela natureza do poder e do dinheiro, a corrupção obtida pela especulação organizada escondida, transformando a realidade e que parece ser, mas não é, e que apesar de se viver num Estado de Direito, é de economia capitalista e neoliberal.

Não é por ser um Estado de Direito, que ele é justo e livre para julgar, mais ainda quando a corrupção é de muitos milhões e que só não sabe quem não procura saber a verdade e acha que tudo isto se processa e acontece desde há muitos anos a esta parte em Portugal, por ser normal, assim ser.

Conheço a origem de como tudo isto se fez, a técnica utilizada, foi copiada a da propaganda médica e funciona.

Não é corrupção, são estímulos...

E O CAPITALISMO MORRERÁ DE OVERDOSE?





Para Wolfgang Streeck, um dos grandes sociólogos contemporâneos, sistema tornou-se frágil ao eliminar adversários que o obrigavam a se reformar. Mas não há, ainda, projeto alternativo — por isso, virão tempos tensos…

Entrevista para Giuliano Battiston | Outras Palavras | Tradução: Inês Castilho

O diagnóstico de Wolfgang Streeck, diretor do Instituto Max-Planck de Colônia, é implacável: “A crise atual não é um fenômeno acidental, mas o auge de uma longa série de desordens políticas e econômicas que indicam a dissolução daquela formação social que designamos capitalismo democrático”.

“O capitalismo está morrendo de overdose de si mesmo.” Esta é a tese do sociólogo Wolfgang Streeck, diretor do Instituto Max-Planck de Colônia, um dos centros de pesquisa mais importantes da Europa. Em seu último livro, Como Acabará o Capitalismo? Ensaios sobre um Sistema Fracassado, Streeck conduz um diagnóstico impiedoso sobre a patologia do capitalismo democrático, aquela formação social particular que, no pós-guerra, havia alinhado democracia e capitalismo em torno de um pacto social que lhe conferia legitimidade. Por volta dos anos 1970, com o fim do crescimento econômico, e depois, com o avanço da revolução neoliberal, aquele pacto social começa a acabar. O capital avança, a democracia recua. Ele atropela as limitações políticas e institucionais que haviam contido o “espírito animal” do capitalismo. Que vence — mas vence demais… Hoje, a revolução cumprida, o capitalismo está em ruínas porque teve muito sucesso, diz Wolfgang Streeck.

RACISMO PROFUNDO | O Governo esquece as vítimas da Amadora?



Mariana Mortágua | Jornal de Notícias | opinião

"Porque lhes bateram? O que é que eles fizeram?" serão provavelmente as primeiras perguntas de quem não conhece os pormenores da agressão policial contra seis jovens da Cova da Moura, na Amadora. A questão reflete, ela própria, o olhar enviesado da sociedade sobre o fenómeno da atuação da Polícia nos bairros ditos "problemáticos". A resposta é simples: independentemente da situação em concreto, nada justifica nunca o abuso da força, a agressão ou a tortura.

O real motivo da violência está nos polícias, agressores, e não nos jovens da Cova da Moura, vítimas. Os testemunhos são claros: "Os polícias disseram que nós, africanos, temos de morrer. Chamavam pretos, macacos, que iam exterminar a nossa raça". Ficam então a nu os motivos: racismo e xenofobia, agravados pelo absoluto sentimento de impunidade por parte dos agentes.

Foquemo-nos na impunidade. Estes jovens não foram agredidos por um polícia racista em concreto. O testemunho de Flávio Almada, uma das vítimas, é claro: "de tudo o que nos fizeram o que mais me assustou foi perceber que não havia um único agente de confiança que nos pudesse ajudar. Houve troca de turnos até. Nunca nos deixaram fazer um telefonema para a família". Falamos portanto de uma esquadra inteira, participante ou cúmplice de tortura motivada por ódio racial.

Mas não ficamos por aqui. O Ministério Público, que agora acusa 18 polícias dos crimes de tortura, sequestro, injúria e ofensa à integridade física qualificada, também afirma que os relatórios e autos de notícia e testemunho foram falsificados para proteger os agressores. O INEM, tendo registado, segundo as últimas notícias, a verdadeira causa dos ferimentos, também não deu sequência ao caso (segundo se sabe). A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) arquivou o inquérito à conduta policial.

Nós sabemos que este caso não é único, é prato do dia em muitos bairros. E é isso mesmo que estes factos agora comprovam. Da agressão pela Polícia à cumplicidade de todas as intuições envolvidas nas várias fases do processo, o Estado falhou em grande. Viola direitos que devia proteger e organiza a ocultação do crime.

Este não é um problema ou um caso localizado. É um problema do Estado. Torna-se por isso bizarro - e inaceitável - que nenhum membro do Governo tenha ainda vindo a público pronunciar-se e dar a estes jovens garantias de segurança durante um inquérito inédito.

Que diríamos perante uma equipa de cirurgiões que voluntariamente infetasse os seus pacientes? Ou de uma cantina pública que substituísse sal por veneno? Seis cidadãos, inocentes, foram brutalmente agredidos por quem deveria garantir a sua segurança. Não é suficiente para termos um caso nacional e garantias do poder político? Ou isso está vedado quando as vítimas são jovens, negros e da Cova da Moura?

* Deputada do BE

"Mário Centeno marcou, na cabeça de Schauble, um golo. E isso é impressionante" - Moscovici



Não foi à Alemanha, mas na cabeça de um alemão, do ministro das finanças, foi um golo e isso é muito relevante. Essa é, pelo menos, a análise de Pierre Moscovici.

Há uma diferença, muito óbvia, nas idades e quanto ao talento futebolístico do Ministro das Finanças português, Pierre Moscovici não arrisca um palpite. O que o Comissário Europeu salienta é que Centeno trabalha muito para conseguir alcançar os objetivos. E se isso levou o ministro alemão das Finanças a compará-lo a Cristiano Ronaldo, então, golo!

O Comissário Europeu da Economia e Finanças está em Portugal e, numa entrevista à TSF, falou da comparação que Wolfgang Schauble fez, em Maio, entre Centeno e Cristiano Ronaldo. "Fico muito feliz que Wolfgang Schauble diga isso agora, não foi bem o que disse há 2 anos. Portanto, isso prova que Mário Centeno marcou um golo, não contra a Alemanha, mas na cabeça de Wolfgang Schauble. O que é, também, impressionante."

Centeno será o ponta de lança de uma equipa que Moscovici vê com um fio de jogo muito bom. O Comissário Europeu da Economia e Finanças diz que está muito otimista em relação a Portugal e diz-se mesmo impressionado.

"A melhoria da economia portuguesa, nas finanças públicas portuguesas, é impressionante. Escolho essa palavra porque a minha mensagem é clara: a economia portuguesa e Portugal são uma economia e um país que se podem confiar, que merecem confiança."

Apesar do otimismo, de afirmar com certeza vincada que "a crise acabou" e de falar numa situação de crescimento estável e muito assinalável, Pierre Moscovici alerta que é precisa alguma cautela, não dar tudo por garantido.

"Temos de ter consciência de que é preciso ter uma estratégia constante e duradoura para consolidar as finanças públicas não uma ou duas vezes, mas por um período longo. E isto tem também a ver com a redução do défice estrutural, não apenas do nominal. Tem de existir uma estratégia que favoreça o crescimento e há, ainda, necessidade de reformas estruturais tendo em vista uma melhoria da qualidade do investimento, para que o mercado de trabalho funcione melhor, particularmente na questão do desemprego de longa duração, que é ainda um problema substancial aqui."

E depois há que ter atenção à situação da banca, diz Pierre Moscovici. Há alguns assuntos por resolver, mas nada de muito preocupante, na opinião do Comissário Europeu.

Ricardo Oliveira Duarte | TSF

BAILA ME, ANDRÉ VENTURA | Um académico armado em parvo




Pedro Tadeu | Diário de Notícias, opinião

Das vezes que vi e ouvi o jurista André Ventura opinar na televisão do Correio da Manhã fiquei impressionado: "Eis aqui um provável belo espécime de parvo", conjeturei. Ontem, o professor auxiliar da Universidade Autónoma de Lisboa obrigou-me a reconhecer que o mero palpite inicial, afinal, tinha sustentação, apesar dos 18 valores com que o próprio publicita na internet, num curriculum vitae "abreviado", a conclusão do ensino secundário no Externato Penafirme, instituição que para este poliglota, com "conhecimento aprofundado" de arábico e hebraico, é designável em português por uma palavra saudosista: "liceu".

Entende o dirigente social-democrata e atual candidato numa coligação PSD-CDS à presidência da Câmara Municipal de Loures que as pessoas de "etnia cigana" (sic) acham "que estão acima das regras do Estado de direito".

O professor convidado da Universidade Nova (onde se licenciou em Direito, divulga, com nota 19) informa, numa entrevista ao jornal i, que "vários munícipes queixam-se de pessoas de etnia cigana que entram nos transportes, usam os transportes e nunca pagam, e ainda geram desacatos".

O apaixonado defensor do Benfica em frequentes zaragatas televisivas, o paladino da restauração da prisão perpétua, indigna-se por na Quinta da Fonte haver "situações em que são ocupados imóveis ilegalmente" pelas tais "pessoas de etnia cigana".

A melhor definição da palavra "parvo" encontro-a no dicionário de José Pedro Machado: "Aquele que tem mentalidade infantil." Pode ser-se inteligente, culto e continuar a pensar-se como um menino: uma coisa é aprender, outra é crescer. Pode ser-se um académico mas ser-se politicamente parvo. Exemplos ilustrativos não faltam.

Não há problemas de segurança na Quinta da Fonte? Há. Não há problemas de integração e socialização com minorias étnicas em Loures? Há. Algum político responsável deve ignorar essa realidade? Não. Então, onde está o infantilismo de André Ventura?

Tal e qual uma criança ansiosa por aprovação no mundo adulto, o coautor de Justiça, Corrupção e Jornalismo tenta ser visto como um herói e recusa o "medo de dizerem que estamos a ser "fascistas", "racistas", "xenófobos"". André Ventura, putativo herói contra o politicamente correto e o "aproveitamento político, sobretudo do espectro da esquerda", avança "que numa candidatura devemos ter a coragem de dizer aquilo que está mal".

Dizer o que se pensa, porém, nada tem de heroísmo para quem pode contar, sempre, com um microfone apontado à boca. E ainda bem que assim é...

Heroísmo é trabalhar como assistente social na Quinta da Fonte. Heroísmo é ser-se polícia e ir à Quinta da Fonte só para falar com quem lá mora. Heroísmo é formar um grupo de teatro na Quinta da Fonte. Heroísmo é manter um negócio aberto na Quinta da Fonte. Heroísmo é morar na Quinta da Fonte e vencer a segregação, o preconceito e a injustiça. Heroísmo é ser cigana, viver na Quinta da Fonte e insistir em enviar os filhos à escola, em lutar para eles terem um futuro melhor. Heroísmo não é atiçar o ódio da turba para, no fim, receber o apoio do líder neofascista do PNR e, ironicamente, a crítica violenta de um dirigente do CDS.

Ser inteligente, culto, querer lugar na política mas não tentar compreender porque Portugal, país de emigração e de imigração, de penas baixas, de aparente laissez-faire, se mantém um país pacífico numa Europa cada vez mais policiada e cada vez mais violenta é, portanto, infantil. É, inelutavelmente, parvo.

AUTÁRQUICAS | Loures: CDS retira apoio político a André Ventura



Em causa estão as declarações do candidato à autarquia sobre a etnia cigana.

CDS acaba de retirar o apoio político a André Ventura, candidato à presidência da Câmara Municipal de Loures. A demarcação do CDS do candidato às eleições autárquicas deve-se às declarações proferidas por André Ventura em relação à etnia cigana.

"No seguimento das recentes declarações do candidato à Câmara Municipal de Loures, dr. André Ventura, e depois de o CDS ter manifestado no seio da coligação o seu profundo incómodo com as referidas afirmações, decidiu o CDS seguir um caminho próprio no concelho de Loures nestas eleições autárquicas de 2017", anunciou o líder da distrital de Lisboa do partido, João Gonçalves Pereira.

Entretanto, à agência Lusa, fonte da direção garantiu que o PSD mantém o apoio político a André Ventura. "O PSD mantém o apoio ao candidato do partido à Câmara Municipal de Loures. Lamentamos que o CDS não mantenha esse apoio, mas respeitamos a posição agora assumida pelo CDS", afirmou a mesma fonte.

Numa entrevista concedida ao Notícias ao Minuto, o candidato à autarquia de Loures admitiu que "há minorias no nosso país que acham que estão acima da lei".

As declarações do candidato pela coligação ‘Primeiro Loures’, composta pelo PSD e CDS, geraram uma onda de críticas e levaram o Bloco de Esquerda a apresentar queixas à Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial, à Procuradoria-Geral da República e à Ordem dos Advogados.

Francisco Mendes da Silva, antigo deputado do CDS, não tardou em reagir, solicitando "que o partido não fique ligado a tão lamentável personagem". A demarcação acabou por ser decidida pelo partido esta terça-feira.

Do lado do PSD, não é conhecida nenhuma decisão de retirar o apoio ao candidato. Porém, a candidata social-democrata à Câmara Municipal de Lisboa, Teresa Leal Coelho, já veio esclarecer que o partido não se revê "nem em pensamento, nem no discurso de natureza discriminatória" utilizado por André Ventura.

Goreti Pera, com Lusa | Notícias ao Minuto

segunda-feira, 17 de julho de 2017

PASSOS E CRISTAS CONTINUAM A CAVALGAR AS LABAREDAS DO DIABO



Rui Gustavo, do Expresso, já serviu o Curto há algumas horas atrás. Pensamos que chegámos a tempo de abraçar a sua prosa e a paranóia coletiva dos portugueses, o fogo. Os fogos. O inferno. O diabo que foi chamado alto e bom som por Passos Coelho e numa ladainha de oração pela chefe do CDS (cujo nome escapa sempre devido à sua insignificância como líder dos centristas o mais à direita possível).

Os fogos aí estão a dar que fazer, a destruir, a assassinar. A oposição política ao governo monta as labaredas e cavalga as suas tétricas figuras num emporcalhamento que denuncia à distância de quilómetros a sua pretensão de quanto pior melhor. Urge que Costa segure o touro rubro pelos cornos incandescentes e não faça como os seus antecessores, do CDS, do PSD e do PS (o chamado arco dos que se governaram) que foram desgovernos que se estiveram quase completamente nas tintas para esta tomada sazonal das labaredas na floresta de Portugal. 

Como a hiena, que tem uma vida de trampa, a que Deus lhe perguntou do que é que ela ri, assim está Passos e a sujeita líder do CDS, a quem perguntamos nós: protestam de quê? Da trampa que os seus governos anteriormente fizeram nesta triste época que são os fogos que sistematicamente se repetem? É que essa já não pega, o aligeirar das culpas por a situação ter chegado onde chegou está colada à pele dos que fazem o arco dos que se governaram e que são hoje uma oposição de chiqueiro e pouco mais. Assim como está colada ao PS de então, daquele “arco” doentio, recheado de corruptos, vigaristas e ladrões. Como já por alguns foi provado, independentemente de os portugueses considerarem que muitos mais deviam ir para dentro de grades… se houvesse a justiça adequada à democracia. Mas não há. De vez em quando lá surgem uns laivos… O que é mau, por ser só de vez em quando. Adiante.

Um mês se passou da tragédia de Pedrógão Grande e áreas limítrofes. Não basta a homenagem às vítimas, nem a solidariedade já demonstrada. Atuação, é preciso total atuação para minimizar o mais possível os sofrimentos dos que ficaram. Cumpra-se esse dever. Rapidamente.

Agora é em Alijó que o fogo se mantém. Desde ontem e não cede. E em Mangualde também. Dias atrás foi no Alentejo… E aqui e ali. Fogos menos bravos… Mas fogos terríveis.

É tempo de pegar estes fogos pelos cornos incandescentes. Basta! Os antecedentes governantes (CDS, PSD e PS) fizeram que faziam… Mas quase nada fizeram a não ser esbanjar, assim como cócegas às labaredas. Está no tempo de Costa fazer e dos partidos de esquerda que apoiam o governo assim exigirem sem contemplações e sem espetáculo. A vida custa, Costa, mas a morte de populações e da floresta, assim como das casas e empresas, custa muito mais. Avança, Costa, sem medos.

Até amanhã. Fiquem com a memória viva dos que pereceram perante as chamas. E com o sentido de exigência para que tal nunca mais se repita. Assim como o pronto escarro aos que estão a pretender tirar proveitos políticos e eleitorais desta desgraça dos fogos. Concretamente CDS e PSD, como se não fossem responsáveis pelas calamidades avultadamente somadas em dezenas de anos em que também foram governos.

Boa semana. Boas férias. Bons empregos para os que precisam. Boa saúde, que não falte. Melhores e mais decentes e competentes políticos e decisores na boa governação em prol dos milhões de portugueses e de Portugal.

MM | PG

domingo, 16 de julho de 2017

ARAÚJO VIANA (1871-1916): TALENTO E PIONEIRISMO NOS PAMPAS



Carlos Roberto Saraiva da Costa Leite* | Porto Alegre | Brasil

“Não morre aquele que deixou na terra a melodia de seu cântico na música de seus versos”.
 Cora Coralina (1889-1985)
   
No dia 10 de fevereiro de 1871, há 146 anos, nascia, em Porto Alegre (RS), o talentoso músico e compositor José de Araújo Viana.  Filho do português João de Araújo Viana e da gaúcha Maria José Felizardo Viana, ele demonstrou sua aptidão musical, desde cedo, dedicando-se ao estudo do piano. Ao completar 10 anos, Juca - como era chamado no reduto do seu lar - passou a estudar com o mestre Grunwald. Com apenas 12 anos, surpreendeu os pais ao demonstrar o seu desejo de viajar à Itália, visando ao seu aprimorando musical. A ideia não teve o apoio da família, que, naquele momento, preferiu contratar o professor Thomaz Legory a permitir a viagem do filho adolescente.

Em 1889, ano da Proclamação da República, Araújo Viana se apresentou, numa audição pública, realizada pela Sociedade Filarmônica Porto-Alegrense, executando apenas um número musical.  Um ano depois, em 14 de junho de 1890, faleceu a figura paterna. A família não sofreu revés econômico, pois havia acumulado um patrimônio composto por imóveis e pela herança dos avós maternos da tradicional família Felizardo.
  
 A viagem ao exterior

A boa situação econômica possibilitou que o jovem músico concretizasse um antigo desejo: conhecer a Itália.  Chegando a Milão, no ano 1893, com 22 anos, aprimorou seus estudos, no famoso Real Conservatório, onde assistiu às aulas dos mestres Amintore Galli (1845-1919) e Vincenzo Ferroni (1858-1934).  Após dois anos, retornou a Porto Alegre, embora não tenha  concluído o seu ciclo de aprendizado. A experiência vivenciada, na Europa, fez com que Araújo Viana assumisse a sua verve de compositor.

A sua inquietude por novas experiências não lhe permitia permanecer somente em Porto Alegre, ele buscava frequentar os locais das cidades, onde houvesse novidades e intensa vida cultural, a exemplo de Buenos Aires, Rio de Janeiro, São Paulo e Montevidéu. No Rio de Janeiro, finalmente, veio a publico a sua primeira composição, “Ave Maria”, que foi apresentada na Igreja do Outeiro de Nossa Senhora da Glória. Na cidade carioca, fazia parte de seu convívio, entre outros nomes, os músicos Francisco Braga (1868-1945) e o não menos conhecido Alberto Nepomuceno (1864 -1920). No período de 1896 a 1911, Araújo Viana viajou outras vezes à Europa.

MESTRES DO INSUCESSO | CPLP: Ineficiência, porém, com muitas potencialidades



A CPLP é um dos caminhos com uma potencialidade imensurável para ajudar o processo de desenvolvimento económico

Paulino Tavares *, Porto Alegre, Brasil | A Nação | opinião

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) representa um espaço de cooperação invejável, uma vez que é a quinta comunidade dos países no mundo. Esse espaço, apesar de irrelevante no presente momento, sem dúvida, tem uma potencialidade que os países desprezam, especialmente, os Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP). Porque a CPLP é uma organização irrelevante e ineficiente? Porque razão os países do PALOP desprezam a CPLP? Quais são as potencialidades da CPLP? Quais são os caminhos para tornar a CPLP uma organização mais ativa e dinâmica no contexto atual? Para responder estas perguntas, estamos cientes de que esse artigo não vai dar toda a resposta. Mas, é importante instigar discussões e reflexões uma vez que é urgente evitar a morte ou a paralização total dessa importante organização ou instituição.

A construção da CPLP merece elogios positivos. Esses elogios tem sentido sim, mas, por outro lado, é relevante lembrar que os louvores não tem nenhuma relação com a eficiência institucional e organizacional da CPLP. Pois, a mesma é uma organização que carece de liderança com capacidade e habilidade para comandar um processo de recriação da CPLP e, com isso, recuperar o tempo perdido nos últimos 20 anos. Para tanto, é urgente que os países membros agenceiem uma discussão pública e aberta para que os especialistas, governos e instituições dessa comunidade possam contribuir com novas ideias, atitudes, estratégias e abordagens na edificação da CPLP. Essa urgência se torna relevante porque a CPLP, atualmente, não cumpre os objetivos presentes na sua carta institucional (estatuto) que, em geral, estão direcionados para fomentar a cooperação econômica, política, institucional e social entre os países membros.