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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Finalmente | NOVO GOVERNO TIMORENSE TOMA POSSE PARA A SEMANA



Após quase um mês de se conhecer os resultados oficiais das eleições legislativas timorenses – em que a Fretilin foi a mais votada - parece que os partidos políticos chegaram ao consenso de se comprometerem a formar uma coligação governamental ou a aprovarem o governo no parlamento em conformidade com o programa negociado.

Sabe-se que a Fretilin conseguiu a integração no governo do partido liderado por Taur Matan Ruak, o PLP, e que logo após ter sido apurada a vitória do partido de Alkatiri o Khunto anunciou o seu apoio à formação de governo em coligação. Assim, entre os três partidos estará assegurada a maioria de deputados no parlamento. Fretilin 23, PLP 8, Khunto 5. Num total de 65 parlamentares a Assembleia Nacional conta com a maioria dos partidos coligados, 36 deputados.

Apesar destas contas da comprovada maioria da coligação foi ponto de honra dos responsáveis da Fretilin contar com o apoio de todos os partidos, numa espécie de governo de consenso nacional. Com esse objetivo Mari Alkatiri tem vindo a insistir no modelo. Aparentemente foi o que conseguiu.

O partido de Xanana Gusmão tem sido o mais renitente em aceitar a derrota e a vitória escassa da Fretilin, pautando-se por criar dificuldades com dissimuladas discordâncias relativas ao modelo governativo. Perante os resultados afirmou-se logo da oposição, notório fruto do ressabiamento e choque por ter sido preterido para segundo plano pelos eleitores, que ao contrário de anteriormente deram a vantagem eleitoral à Fretilin por mais mil votos e mais um deputado, para além de também terem preferido o PLP e o Khunto. A perder saíram os partidos que mais têm governado Timor-Leste, o CNRT e o PD (Partido Democrático).

Será no decorrer da semana que vem que decerto haverá governo em Timor-Leste por via da escolha do eleitorado timorense. Entretanto o CNRT de Xanana Gusmão engoliu um pouco do seu orgulho ferido e declara que apesar de ser oposição poderá apoiar o governo de coligação… O que é muito pouco no dito se considerarmos que Xanana Gusmão é useiro e vezeiro na particularidade de criar crises, instabilidades e duradouras manipulações para tirar vantagens que lhe possibilitem continuar no pódio da governação – como tem acontecido ao longo dos anos de independência de Timor-Leste.

Atualmente importa acreditar que tudo vai acontecer positivamente e em prol dos reais interesses dos timorenses, em prol da estabilidade que o país tem tido, principalmente neste últimos anos. Assim aconteça.

A seguir, se continuar a ler, ficará a saber o que diz o CNRT de Xanana ao governo de coligação. Também o PD tem a sua palavra empenhada em afirmar que “vai ajudar a viabilizar o próximo Governo”. Sejamos otimistas e esperemos que os interesses pessoais e partidários de uns quantos não se sobreponham aos interesses em falta, prementes e efetivos dos timorenses, principalmente dos mais carenciados, dos que deixaram de acreditar em tudo que promete Xanana Gusmão. A penalização infligida ao CNRT também assim o demonstrou.

MM = AV | Página Global

MOÇAMBIQUE | O povo precisa de um Governo mais humano



@Verdade | Editorial

A seriedade de um pais vê-se em pequenas coisas, sobretudo na capacidade do Governo dar respostas aos problemas pontuais da sua população, tais como o acesso à saúde, educação, entre outros serviços básicos. Mas o que se assiste no nosso país é uma situação verdadeiramente clamorosa e preocupante. Não se justifica que, em 42 anos de independência nacional, os moçambicanos continuem a viver como indigentes e morrerem por falta de assistência médica e medicamentosa.

Aproximadamente 50 porcento da população moçambicana continua a consumir água imprópria e a situação é mais crítica nas zonas rurais. A população tem recorrido aos rios e riachos para beber, apesar de a construção de uma fonte de água não ultrapassar um milhão de meticais. Aliado a isso, está o problema relacionado com a falta de saneamento do meio. Todos os anos, centenas de moçambicanos morrem por causa de doenças hídricas, situação essa que se pode evitar, mas o Governo prefere investir em viaturas para este e aquele ministro ou deputado.

Diante essa dura realidade, o Governo pouco ou quase nada faz para reverter essa preocupante situação que coloca o país num dos piores países para se viver. Pelo contrário, continua hipotecar o futuro do povo, colocando- o numa situação de indigência.

Como se isso não bastasse, Moçambique é também um dos piores países para as pessoas de terceira idade viverem. É vergonhoso para um país que se diz sério, quando situações dessa natureza acontecem. Esses factos revelam claramente que, nos últimos 42 anos, o Governo da Frelimo não se preocupou em dar dignidade a vida dos moçambicanos. Têm sido 42 anos de pseudo-políticas que empurram o país para um situação insustentável, através de endividamentos ocultos e as suas actividades sem impacto visível na vida dos moçambicanos. Não obstante o país dispor de inúmeros recursos naturais, a condição de vida dos moçambicanos tende a deteriorar-se a cada dia que passa, devido ao Governo da Frelimo que se tem mostrado incompetente, apático e insensível relativamente ao sofrimento de milhões de moçambicanos.

Um dos revoltantes e bizarros exemplos da falta de compaixão e respeito para com o povo é a realidade que se vive no distrito de Moma, na província de Nampula. Nessa parcela do país, o hospital rural não possui meios circulantes, com destaque de ambulância para a transferência de pacientes, e, como consequência disso, pelo menos uma pessoa já perdeu a vida.

Não se pode esperar o desenvolvimento do país e melhoria na qualidade de vida quando, todos os dias, moçambicanos morrem por falta de serviços básicos que o Governo tem a obrigação de prover.

Votar perto de casa não é para todos em Angola



Alguns eleitores na Huíla não poderão votar perto de casa. Fizeram o registo eleitoral na província no sul de Angola, mas muitos foram colocados em assembleias de voto a milhares de quilómetros. CNE confirma reclamações.

Rosa Filipe atualizou o registo eleitoral na província da Huíla e, por isso, estava à espera de ir votar numa assembleia próxima da sua residência. Mas ficou preocupada quando percebeu que viu que a 23 de agosto terá de ir votar à província do Uíge, no interior-norte, e não tem condições para ir até lá.

"É difícil. Para além de ser muito distante, estou a passar por dificuldades financeiras. Então, não vai dar para lá ir", lamenta a eleitora.

Além de Rosa Filipe, estima-se que, pelo menos, 50 eleitores na província da Huíla tenham sido colocados em assembleias afastadas das suas casas.

Francisco António também fez o registo eleitoral na cidade do Lubango, na Huíla, mas ficou surpreendido quando o seu nome apareceu numa assembleia na província de Cabinda, a cerca de dois mil quilómetros de distância.

Francisco António, que não vai votar por não ter dinheiro para ir até Cabinda, sublinha que o seu direito ao voto está a ser violado. "É um dever do cidadão votar, mas também é um dever do Estado proporcionar condições para que o cidadão vote [próximo de] onde vive. Sinto-me mal, porque, neste caso, nem cidadão sou", afirma.

Reclamações na CNE

Têm chegado à Comissão Nacional Eleitoral (CNE) várias reclamações de eleitores que "viram a sua pretensão de votar numa determinada localidade não concretizada na Huíla", confirma o porta-voz Longa Paquete.

"Preocupa-nos saber que há eleitores que, por algum motivo que temos depois de estudar internamente,  terão sido deslocados de determinadas localidades  para onde deviam exercer o seu direito de voto para outras", afirma o porta-voz. Ainda assim, a Comissão Eleitoral diz não será possível resolver o problema antes das eleições da próxima quarta-feira.

Na semana passada, depois de dúvidas levantadas pela oposição sobre uma alegada transferência de eleitores para mesas de voto distantes da área de registo, a CNE informou que a indicação do ponto de referência dado pelos eleitores no ato de registo eleitoral não determinava a sua assembleia de voto.

A CNE constituiu 12.512 assembleias de voto, que incluem 25.873 mesas de voto por todo o país, com o escrutínio centralizado nas capitais de província e em Luanda.

Lusa | Deutsche Welle

ANGOLA | As eleições e os partidos políticos



Na próxima semana, os angolanos vão uma vez mais às urnas para elegerem os governantes que hão-de exercer o poder até 2022.

Jornal de Angola | opinião


Faltam poucos dias para o pleito eleitoral, um acontecimento que tem a particularidade de o partido no poder, o MPLA, apresentar um novo candidato a Presidente da República, João Lourenço, um experimentado quadro da formação política que governa o nosso país desde a nossa a Independência, e que soube, com sabedoria e coragem, contornar inúmeros obstáculos para preservar a unidade e a soberania nacional, um feito que entrou definitivamente na história de resistência do povo de Angola.

Institucionalizado o Estado Democrático de Direito nos anos 90 do século passado, os angolanos passaram a realizar eleições multipartidárias para escolha dos seus governantes, as quais têm sido geralmente marcadas por uma adesão massiva dos eleitores às urnas, o que mostra que tem havido no país um grande interesse dos cidadãos pela vida politica e uma vontade de nela participar, fazendo no momento do voto as suas opções.

 A 23 de Agosto de 2017, o povo angolano vai exercer novamente a soberania através do sufrágio universal, livre, igual, directo e secreto, num processo eleitoral em que vão ser eleitos o Presidente da República, o Vice-Presidente da República e os deputados à Assembleia Nacional.

BARCELONA | Moussa Oukabir. O radical de 17 anos ao volante da carrinha em Las Ramblas



Terá sido este jovem, de 17 anos, o autor material do atropelamento massivo em Las Ramblas, Barcelona. Há dois anos, escreveu nas redes sociais que queria "matar todos os infiéis".

Moussa Oukabir, de 17 anos, terá sido o autor material do atropelamento massivo em Las Ramblas, Barcelona. É neste jovem que está concentrada a investigação policial neste momento, com as autoridades a admitirem que o jovem terá roubado documentos ao irmão para alugar a carrinha. O irmão apresentou-se na polícia logo após o atropelamento, numa altura em que as suas fotografias já estavam a circular como suspeito.

Logo após o atropelamento, foi noticiado que alguém saído da carrinha (presumivelmente, o condutor) teria fugido da viatura. Segundo o El Mundo, que cita fontes policiais, Moussa Oukabir terá conduzido a carrinha que provocou a morte de pelo menos 13 pessoas e mais de 100 feridos. Após o crime, com um boné na cabeça, fugiu a correr do centro da cidade.

Moussa estaria armado, a julgar pelos alertas difundidos pelas autoridades após o incidente. Dois homens foram detidos — um marroquino e um de Melilla — mas logo se soube que nenhum deles seria o condutor.

A investigação policial está a ter em conta o testemunho de Driss Oukabir, que na quinta-feira foi detido em Ripoll, na esquadra policial a que se dirigiu, garantindo que na altura do atentado estava ali mesmo, em Ripoll (Girona), e não em Barcelona. De acordo com Driss, o irmão — o mais novo de cinco irmãos — terá roubado o passaporte do irmão mais velho, de 28 anos, para conseguir alugar não só a carrinha de Barcelona mas, também, outra que foi apreendida horas depois na zona de Vic.

Moussa Oukabir — cujo nome completo é Moussa Oukabir Soprano — vive em Barcelona, ao passo que Driss mora mais a norte, em Ripoll. A identificação de Driss foi encontrada no local do crime, em Barcelona, pelo que inicialmente a investigação se concentrou no irmão mais velho — um homem que, segundo o The Telegraph, esteve detido em 2012 por suspeita de abuso sexual.

Quem é Moussa, o irmão mais novo?

Quanto ao irmão mais novo, Moussa, que continua sem paradeiro conhecido, começam a surgir algumas informações sobre o seu historial. Segundo os jornais espanhóis, Moussa terá feito alguns comentários de teor racial, contra os não-muçulmanos, numa rede social, há dois anos. Na rede social Kiwi, perguntaram-lhe o que faria se se tornasse líder absoluto do mundo: “Matava todos os infiéis e deixaria apenas os muçulmanos continuarem com a religião”, terá escrito. Um país onde nunca viveria? “No Vaticano”.

Moussa terá viajado recentemente até Marrocos e, segundo o La Vanguardia, regressou a Espanha no último dia 13, poucos dias antes do crime. Não há informações consensuais sobre a data de nascimento do jovem — o La Vanguardia diz que Moussa terá já cumprido o 18º aniversário, mas a informação não foi confirmada. O ministro da Administração Interna do governo catalão não quis confirmar a identidade do suspeito.

Segundo o El País, as autoridades acreditam que o jovem pertencia a uma célula terrorista composta por 12 pessoas. Cinco destas foram mortas no outro ataque em Cambrils, três estão detidas — faltam, portanto, quatro (incluindo Moussa), que estão a monte.

Uma jovem que será amiga de Moussa Oukabir, que falou com o jornal catalão mas que preferiu permanecer anónima, diz-se “surpreendida com tudo isto” porque o jovem era um “rapaz normal e muito simpático”. Moussa é descrito pela mesma jovem como um rapaz “um pouco calado e que nunca procurava problemas” — “tinha um grupo de amigos, todos marroquinos, mas falava catalão perfeitamente. Acho que veio para cá com três anos de idade”.

Edgar Caetano | Observador

HÁ PORTUGUESES ENTRE AS VÍTIMAS DA LA RAMBLA | Leia em Observador: Portuguesa entre os 14 mortos de Barcelona


MATANZA EN LA RAMBLA




"El Estado Islámico (ISIS, en sus siglas en inglés) golpeó ayer el corazón de Barcelona y dejó al menos 13 muertos y más de 100 heridos en el atentado más grave que sufre España desde el 11-M y el primero yihadista desde entonces. A las 16.50 horas, una furgoneta se lanzó contra los centenares de personas que se encontraban en La Rambla. Los Mossos confirmaron que se trata de un atentado coordinado. El autor material del atropello masivo se dio a la fuga y sigue en paradero desconocido. La policía catalana ha detenido a dos personas. Una de ellas es Driss Oukabir, que presuntamente alquiló el vehículo. La otra, cuya identidad se ignora, fue detenida en Alcanar (Tarragona), donde los Mossos sospechan que, junto a otras personas, estaba preparando un artefacto explosivo." (El País, com foto)

É assim que o jornal El Pais toma por abertura e manchete o que ontem à tarde ocorreu em La Rambla, Barcelona. Sobre o ataque terrorista quase todos os jornais de Espanha e da UE fazem manchete. A caça ao homem toma proporções enormes em Espanha, Moussa Oukabir é o presumível condutor do veículo que causou tanta mortandade e ferimentos a mais de 100 pessoas, incluindo estrangeiros que passeavam àquela hora na zona pedonal de Barcelona, na La Ramba.

O irmão do presumível condutor está detido. Driss Oukabir é um jovem de 17 anos que, segundo declara o irmão, mais velho, roubou-lhe o seu passaporte para alugar a carrinha com que investiu brutalmente contra os peões em La Rambla.

Há minutos ocorreu a homenagem às vítimas na praça principal de Barcelona. Muitos milhares esgotaram o referido espaço e cumpriram um minuto de silêncio, aplaudindo depois efusivamente e com comoção os que foram pasto da violência terrorista.

Pelas cidades europeias acontecem de vez em quando este tipo de ataques terroristas, o ISIS reivindica-os, como agora aconteceu neste ataque em Barcelona.

Resta-nos prestar-lhes homenagem e perguntar: onde acontecerá a seguir nova barbaridade?


PG, com El País | Foto EFE

Última hora:

O QUE PREPARA O PRESIDENTE MACRON



Thierry Meyssan*

A inquietação apodera-se dos Franceses que descobrem —embora um pouco tarde— não conhecer o seu novo Presidente, Emmanuel Macron. Interpretando as suas recentes declarações e os seus actos em relação ao relatório que redigiu em 2008 para a Comissão Attali, Thierry Meyssan antecipa a direcção para a qual ele está «En marche!» («Em marcha»).

Desde o acidente cerebral de Jacques Chirac, a França não mais teve uma presidência efectiva. Durante os dois últimos anos do seu mandato, ele deixou os seus ministros Villepin e Sarkozy digladiarem-se entre si. Depois, os Franceses elegeram duas personalidades que que não chegaram a personificar a função presidencial, Nicolas Sarkozy e François Hollande. Então, eles escolheram guindar Emmanuel Macron ao Eliseu, pensando, assim, que impetuoso jovem era capaz de assumir a governança.

Contrariamente às campanhas eleitorais precedentes, a de 2017 não foi alvo de debates de fundo. Quando muito, pudemos constatar que todos os pequenos candidatos (isto é, aqueles que não eram apoiados pelos grandes partidos) contestaram profundamente a União Europeia, que todos os candidatos principais içavam, esses sim, aos píncaros.

O essencial da campanha foi um folhetim quotidiano denunciando a suposta corrupção da classe política em geral, e do candidato favorito, François Fillon, em particular; uma narrativa típica de «revoluções coloridas». Como em todos estes modelos, sem excepção, a opinião pública reage apoiando o «bota-abaixismo» : tudo o que era velho estava corrompido, tudo o que era novo era certo e bom. Ora nenhum dos crimes de que todos falavam foi provado.

Nas revoluções coloridas precedentes, a opinião pública levava de três meses (a Revolução do Cedro, no Líbano) a dois anos (a Revolução das Rosas, na Geórgia) a acordar e a descobrir ter sido manipulada. Ela voltou a virar-se então para o que restava da primeira equipe. A arte dos organizadores das revoluções coloridas consiste, pois, em realizar sem espera as mudanças que os seus comanditários entendem operar nas instituições.

O AUTO-DE-FÉ DO PONTAL



Nuno Ramos de Almeida | jornal i | opinião

A liderança do PSD está desesperada e pretende agitar as águas com um discurso importado de Trump. A esse falso populismo é preciso contrapor uma política popular que promova a igualdade social e dar o poder à maioria da população

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, parece querer colmatar a sua falta de capacidade de mobilizar os seus militantes e de chegar à população macaqueando uma espécie de discurso racista da supremacia branca. O problema desse discurso é que, para além de abrir uma caixa de Pandora, pode ter consequências dramáticas, baseia-se, como é frequente, em mentiras disfarçadas de meias verdades. O patrono do candidato racista de Loures afirma que a nova lei da imigração vai permitir uma invasão de imigrantes façanhudos de faca nos dentes e impedir a expulsão de sanguinolentos facínoras imigrantes. “O que é que vai acontecer ao país seguro que temos sido se se mantiver esta possibilidade de qualquer um viver em Portugal?”, queixa-se Passos Coelho, que argumenta que a nova lei faz com que o Estado perca a possibilidade de expulsar alguém que tenha cometido crimes graves.

Argumentar que há uma nova lei da imigração que causa todas essas maleitas é saber que se está a mentir. Por todo e por junto, foram dadas novas redações aos artigos 132, 88 e 89 da lei que regulamenta a imigração. Na sua formulação anterior, o artigo 132, excetuando casos de atentado à segurança nacional ou à ordem pública e de um conjunto de situações, não permitia que fossem expulsos estrangeiros que tivessem nascido em território português, tivessem filhos menores a cargo em território português e se encontrassem em Portugal desde idade inferior a dez anos. Devido a vários casos de pessoas que foram expulsas por crimes menos graves, como no caso de roubo, a nova formulação da lei apenas vem precisar que, com exceção de suspeita fundada da prática de crimes de terrorismo, sabotagem ou atentado à segurança nacional ou de condenação pela prática de tais crimes, as pessoas não podem ser expulsas nos casos previstos anteriormente. Defende-se que quem nasceu ou sempre viveu em Portugal e tem filhos cá, depois de pagar as suas contas à justiça, deve ficar no país em que sempre viveu e com a sua família.

TERRORISTAS



Rafael Barbosa | Jornal de Notícias | opinião

1. Os assassinos voltaram a atacar uma cidade europeia, de novo usando um veículo para matar de forma indiscriminada. Foi nas Ramblas de Barcelona, como já antes tinha sido na marginal de Nice, num mercado de Natal de Berlim, no Parlamento e na ponte de Londres (dois ataques), ou numa zona pedonal de Estocolmo. É cedo para tirar conclusões, mas há coincidências óbvias que não podem ser ignoradas. Tudo indica que o ataque de Barcelona corresponda ao perfil dos anteriores: um ato brutal de terroristas islâmicos. Os ataques foram sempre levados a cabo por estes radicais, tal como foram sempre reivindicados pelo Estado Islâmico, cujos líderes são os promotores deste género de terrorismo de baixo custo, fácil de planear e executar, aleatório e, por isso, ainda mais assustador. Como sempre acontece nos primeiros momentos, fica a amarga sensação de que os terroristas estão a ganhar esta guerra, que não tem campo de batalha, nem exércitos, nem regras de combate, nem objetivos. Resta-nos esperar que o tempo, como também sempre tem acontecido, esbata a sensação de desespero e que a vida prossiga. Talvez pareça um pouco pueril, quando o sangue ainda mancha as Ramblas, mas vale a pena citar Anne Hidalgo, presidente da Câmara de Paris: "Barcelona e Paris são cidades de partilha, de amor e de tolerância. Estes valores são mais fortes do que o terrorismo hediondo e cobarde". Se não acreditarmos nisto, vamos acreditar em quê?

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

PORTUGAL DEVASTADO: ROTINA OU TERRORISMO?



O vento sopra em todo o país, mas as chamas, tal como em 1975, poupam as zonas onde prevalecem grandes interesses económicos tendencialmente sem pátria.

José Goulão | AbrilAbril | opinião

O terrorismo tem mil caras. Lançar o terror contra pessoas comuns e quase sempre indefesas, ou atemorizar populações e devastar países usando os cidadãos apavorados como reféns são práticas que preenchem os nossos dias num mundo que, pela mão de dementes usando o poder acumulado por conglomerados do dinheiro, caminha para inimagináveis patamares de destruição.

Portugal tem tido a sorte de ser poupado pelo terrorismo, diz-se e repete-se, por vezes com inflexões de um misticismo bolorento próprio de pátrias «escolhidas» para auferir das mercês do sobrenatural. Uma interpretação com curtos horizontes e vistas estreitas, características cultivadas por uma comunicação social habilmente arrastada para realidades paralelas e que reduz o terrorismo dos nossos dias ao estereótipo do muçulmano fanático imolando-se com explosivos à cintura, ou atropelando a eito, não se esquecendo de deixar o cartão de identidade, intacto, num local de crime reduzido a destroços humanos e amontoados de escombros.

Assim sendo, deixa de ser terrorismo, por exemplo, o que a NATO fez na Líbia, o que Israel pratica em Gaza, os massacres que as milícias nazis integradas no exército nacional da Ucrânia «democratizada» cometeram, por exemplo, na cidade de Odessa.

Olhando em redor, porém, é imperativo que cada um de nós estilhace a dependência em relação a um conceito de terrorismo que corresponde a uma ínfima parte da gravidade do fenómeno global. Só assim alongaremos os horizontes e alargaremos as vistas que permitirão reflectir a sério, e profundamente, sobre a realidade que devasta Portugal e que, com uma irresponsabilidade e uma inevitabilidade próprias de uma cultura tecnocrática e desumana, chegou a ser conhecida como «a época dos incêndios».

Se quisermos reflectir livre e abertamente sobre o maior número possível de aspectos da situação com que nos confrontamos é imprescindível associar o poder destruidor e aterrador dos incêndios deste ano ao quadro político-social que vivemos em Portugal; e também à memória que em muitos ainda estará viva e que outros poderão consultar junto dos mais velhos ou das fontes de uma época que dista 42 anos. Chamaram-lhe o «Verão quente de 1975».

Pois nesse «Verão quente», assim baptizado não por causa do terrorismo incendiário mas de uma instabilidade política inerente às situações revolucionárias e também organizada, em grande parte, por conspiradores externos, internos e todos os outros manobradores integráveis no diversificado círculo dos contrarrevolucionários, multiplicaram-se as práticas terroristas.

Racismo e xenofobia | A MÃO QUE AFAGA O MONSTRO





Miguel Guedes | Jornal de Notícias | opinião

São duas as opções perante a catástrofe iminente. Podemos assistir serenos e impávidos ao desmoronar dos mais elementares alicerces da liberdade ou, então, desatamos a arregimentar o sofá ao eterno descanso, fazendo a nossa parte, partindo para o combate. São duas atitudes passíveis de entendimento: uma, a maioria silenciosa, abre a boca de espanto e exclama; a outra, minoria ruidosa, solta as palavras da boca e passa à demanda. Normalmente, é esta última que faz revoluções, alarga o passo da história e apressa o tempo que no relógio tarda a passar.

A eleição de Donald Trump convocou um Mundo em maioria silenciosa. O espanto globalizou-se e a onda de choque fez o seu caminho até ao momento em que o impacto se desvaneceu perante os dislates com que diariamente nos brindava em folha seca de Twitter. No fundo, voltou a ganhar a corrida dos primeiros nove meses de presidência com os mesmos métodos que utilizou para vencer a corrida presidencial até às eleições: conseguiu convencer-nos, novamente, a olhar para o acessório e não para o essencial do que representa, é e executa. Enquanto nos silenciámos maioritariamente para assistir à sua pantomina e estupidez, Trump foi moldando o Mundo à sua ideologia. E não admira que seja ele o pai adoptivo que todos os fascistas gostariam de adoptar. Racistas, neonazis, "alt-right", Ku Klux Klan. E assenta-lhe bem, como a obra assenta ao pai criador.

A forma desculpabilizadora como reagiu à violência terrorista de Charlottesville diz tudo sobre o perigo real que representa. Após marchas de ódio iluminadas a tochas, saudações, cânticos nacionalistas, bandeiras e fumos neonazis, depois da morte de uma pessoa que não se silenciava perante a atrocidade, após um dia que envergonhou e ensombrou a América e o Mundo, Trump condenou a violência "em vários lados". Em vários lados. Escolheu afagar o monstro, passou a mão pelo pêlo daqueles que ponderam a vida dos outros em função da cor, religião ou costumes. Precisamente porque parte de dentro dela para a implodir, Trump é o inimigo público n.º 1 da democracia no Mundo. E merece ter a sua cabeça a prémio, afixada em cartaz desde a sala oval até ao mais saloio saloon. Trump tem razão: nem todos os homens são iguais, ele é diferente.

Há um espelho no Pontal português e, infelizmente, é fiel. A radicalização extremista do PSD não pára de crescer e nem os acontecimentos em Charlottesville impediram Passos de vomitar demagogia sobre a política de imigração em Portugal. Depois de apoiar a xenofobia e racismo do candidato à Câmara de Loures, Passos Coelho escolheu estender o seu PSD num caixão indistinto, "qualquer um". Espera-se a "qualquer momento" que o líder do PNR também o caracterize como "um dos meus".

O autor escreve segundo a antiga ortografia

*Músico e jurista

BARBÁRIE EM NOME DA DEMOCRACIA



Martinho Júnior | Luanda

A “civilização judaico-cristã ocidental”, nos termos das premissas do capitalismo neoliberal, está esgotada e a “democracia representativa” que faz uso como bandeira de paradigma, não passa duma flâmula de conveniência, pompa e circunstância, a fim de encobrir a barbárie que é “congénita” da acumulação sem limites e sem moral do capital das famílias seculares de bancários que com estatuto de clãs dominam “behind the scenes” a partir das duas margens norte do Atlântico.

1- A aristocracia financeira mundial, emanação das casas bancárias de família formadas desde os alvores da Revolução Industrial e na trilha última que tem percorrido desde o que foi convencionado como “Guerra Fria”, apossou-se do miolo das decisões de domínio global em regime exclusivista, decisões que conduzem os processos de hegemonia unipolar, de tal modo que hoje, para garantir a perseverança desse domínio eivado da voracidade na procura de cada vez mais lucros e com mentalidade de saque, está intimamente implicada na metamorfose da ilusão que constitui a “civilização judaico-cristã ocidental”, na real barbárie feudal que esgota a humanidade e o planeta em pleno século XXI.

Afirmá-lo não é “teoria de conspiração”, pois esse domínio avassalador conforme à hegemonia unipolar, vai deixando pistas cada vez mais evidentes de como está a ser exercido à escala global, continental, regional e local, seja por via sócio-política (arregimentando as oligarquias nacionais), seja por via económica e financeira, seja por via da utilização de seus serviços de inteligência, como da panóplia de meios militares (oficiais e privados) e até na arregimentação dos meios de comunicação de massas sob sua tutela, ou sob sua esteira.

RACISMO A COBERTO DE TRUMP | EUA: o fim de semana em que a direita mostrou as garras



Reportagem em Charloteville: como os supremacistas brancos tomaram a cidade e acrescentram mais um dado tétrico a um cenário global tenso e difícil. Felizmente, houve resistência

Ricardo Senra, na BBC | em Outras Palavras

Quando propus minha ida neste fim de semana a Charlottesville, uma cidade universitária de 50 mil habitantes ao sul de Washington, nos Estados Unidos, minha ideia era conhecer os diferentes matizes da nova direita americana após a eleição de Donald Trump.

O protesto “Unite the Right”, ou “Unir a Direita”, até então não tinha muito espaço na imprensa. Alguns blogs chamavam atenção para o ato, alguns com elogios à celebração do orgulho e nacionalismo americano, outros com críticas à ideia de segregação que estes valores podem carregar.

Meu vagão no trem era heterogêneo. Famílias voltavam para a cidade com bebês para o almoço de domingo com os avós, estudantes vinham reencontrar pais e namorados, um ou outro jornalista fingia que estava ali por coincidência e achava que estava sendo discreto mexendo freneticamente em seu computador, tablet e celular (eu era um deles).

Quatro homens chamavam atenção na fileira ao lado. Carecas, fortes, cheios de tatuagens, vestindo calça bege e camisa branca, eles conversavam sobre algo sério – e me olhavam muito feio quando eu tentava ler seus lábios, que sussurravam e me deixavam pescar apenas palavras soltas. Uma delas foi “hate” – ou ódio.

Pois foi exatamente ódio o que eu encontrei nas horas seguintes.

Enquanto desfazia a mala, li no Twitter boatos de um possível ato-surpresa dos manifestantes, que haviam feito um acordo com a prefeitura para desfilar pela cidade só no dia seguinte.

Era sexta-feira à noite e eu corri para a Universidade de Virginia, ao norte do centro da cidadezinha de casarões preservados e praças com monumentos antigos. O campus estava escuro, vultos andavam de um lado para o outro em busca de algum sinal.

Um grupo de aproximadamente 20 homens subiu em passo acelerado em direção ao jardim interno. A 50 metros de distância, um grupo menor os seguia. Corri até eles pela penumbra.

O segundo bloco era formado por estudantes que escreviam para um site local. Anne, uma jovem de 20 anos, no máximo, me explicou: “São eles. Estão tentando nos despistar e andando em círculos”.

Em 15 minutos eu entenderia o que ela quis dizer com “eles”. Depois de circular todos os cantos do campus, um dos homens gritou: “Vamos!”

Eles começaram a correr. Sabiam que nós os seguíamos e não diziam nada. Corremos por quase 10 minutos até chegar ao alto de um vale.

“Eles” estavam lá embaixo. Centenas de homens e mulheres, incluindo algumas crianças, se organizavam em filas, rindo alto e brincando entre si enquanto acendiam tochas. Estava muito escuro e a luz das tochas de madeira tingia de vermelho o gramado, onde estudantes normalmente jogam beisebal e futebol americano.

Um homem com tom agressivo começa a falar no megafone. “Alinhem-se agora! Duas filas! Todos! Agora!”

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Washington tenta fechar a caixa de Pandora do racismo que Trump abriu



Republicanos e democratas recusam comparar supremacistas brancos a contra-manifestantes. Conselho industrial da Casa Branca é desmantelado após vaga de demissões.

João Ruela Ribeiro | Público

O ciclo parece repetir-se ao sabor de cada controvérsia que envolve Donald Trump desde que chegou à Casa Branca. Rebenta um acontecimento, o Presidente faz comentários (chocantes para uns, politicamente incorrectos para outros), republicanos e democratas unem-se na condenação a Trump e, pelo meio, há gente a bater com a porta na Casa Branca. No fim do dia, a poeira assenta, as redes sociais encontram uma nova indignação, e o magnata nova-iorquino mantém-se e prepara o próximo tweet incendiário.

Nos últimos dias o ciclo repetiu-se, com a violência protagonizada por elementos ligados a movimentos de extrema-direita, neo-nazis e supremacistas brancos em Charlottesville (Virgínia), que acabou por matar uma mulher de 32 anos. Os principais protagonistas da política americana invadiram em peso as televisões, as páginas dos jornais, as ondas da rádio, os sites noticiosos e as redes sociais em geral, para transmitir uma mensagem que poucos pensavam ser necessário repetir em 2017: não se pode comparar o comportamento de racistas e neo-nazis com as acções de quem os combate.

“A América deve rejeitar sempre a intolerância racial, o anti-semitismo, e o ódio em todas as suas formas”, afirmaram os dois últimos Presidentes republicanos, George Bush e George W. Bush. Antes, o filho e irmão dos dois antigos Presidentes, Jeb Bush, foi um dos que criticou abertamente a “ambivalência” de Trump. “Peço ao Presidente Trump que una o país, e não que divida a culpa pelos acontecimentos em Charlottesville”, disse o ex-candidato presidencial.

O senador republicano John McCain, habitual crítico de Trump, disse que “não deve haver equivalência moral entre racistas e americanos que se levantam para combater o ódio e a intolerância. O Presidente dos Estados Unidos deve dizê-lo.” As críticas ao discurso de Donald Trump estenderam-se até à cúpula do partido que apoiou a sua candidatura. O speakerdo Congresso, Paul Ryan, afirmou que “não pode haver ambiguidade moral” e o líder da maioria republicana, Steve Scalise, apelou ao combate contra “a supremacia branca e todas as formas de ódio”.

ASSIM, OS EUA “TRANQUILIZAM” A EUROPA



No ano fiscal de 2018 (que começa em 1 de Outubro 2017), a Administração Trump vai aumentar mais 40% do orçamento para a "Iniciativa de Tranquilização da Europa" (ERI), lançada pela Administração Obama depois da "invasão russa ilegal da Ucrânia em 2014": anuncia o General Curtis Scaparrotti, Chefe do Comando Europeu dos Estados Unidos, e assim por direito, Comandante Supremo Aliado na Europa

Manlio Dinucci

Tendo partido da quantia de 985 milhões de dólares, em 2015, o financiamento do ERI subiu para 3,4 biliões em 2017 e (de acordo com o pedido de orçamento) para 4,8 biliões em 2018. Em quatro anos, 10 biliões de dólares gastos pelos Estados Unidos, a fim de "aumentar a nossa capacidade para defender a Europa da agressão russa." Quase metade dos gastos em 2018 - 2,2 biliões de dólares - servem para reforçar o "pré-posicionamento estratégico" americano na Europa, ou seja, os depósitos de armamento, colocados em posições avançadas, que permitem "uma rápida distribuição de forças no teatro de guerra". Outra grande quota - 1,7 biliões de dólares - é destinada a "aumentar a presença numa base rotativa das Forças americanas em toda a Europa." As quotas restantes, cada uma na ordem de centenas de milhões de dólares, servem para o desenvolvimento da infraestrutura das bases na Europa, para "aumentar a prontidão da acção dos EUA", a intensificação dos exercícios militares e o treino para "melhorar a prontidão e a interoperabilidade das forças da NATO ".

Os fundos da ERI - especifica o Comando Europeu dos Estados Unidos - são apenas uma parte dos que estão destinatados à "Operação Atlantic Resolve", que mostra a capacidade dos EUA de responder às ameaças contra os aliados. No âmbito dessa operação foi transferida para a Polónia, a partir de Fort Carson (no Colorado), em Janeiro passado, a 3ª Brigada blindada, composta por 3500 homens, 87 tanques, 18 obuses, 144 veículos de combate Bradley, mais de 400 Humvees e 2000 veículos de transporte. A 3ª Brigada blindada será substituída ainda este ano por outra unidade, de modo que as forças blindadas americanas estejam localizadas, permanentemente, em território polaco. A partir daqui, eles são transferidos para os departamentos de formação e exercícios de outros países da Europa de Leste, especialmente para a Estónia, Letónia, Lituânia, Bulgária, Roménia e, eventualmente, Ucrânia, ou seja, estão continuamente distribuídos perto da Rússia.

Também no quadro de tal operação, em Fevereiro passado, foi transferida para a base de Illesheim (Alemanha), do Fort Drum (em Nova York), a 10ª Brigada de Aérea de Combate, com mais de 2000 homens e centenas de helicópteros de guerra. De Illesheim, a task force foi enviada para "posições avançadas" na Polónia, Roménia e Letónia. Nas bases de Ämari (Estónia) e Graf Ignatievo (Bulgária), estão localizados bombardeiros dos Estados Unidos e da NATO, incluindo os Eurofighter italianos, para o "patrulhamento aéreo" do Báltico. A operação também fornece "uma presença persistente no Mar Negro", com a base aérea em Kogalniceanu (Roménia) e a base de treino de Novo Selo (Bulgária).

O plano é claro. Depois de ter provocado um novo confronto com a Rússia com o putsch/golpe da Praça Maidan, Washington (apesar da mudança de Administração) segue a mesma estratégia: transformar a Europa na vanguarda de uma nova guerra fria, a favor dos interesses dos Estados Unidos e das suas relações de poder com as grandes potências europeias.

Os 10 biliões de dólares investidos pelos EUA para "tranquilizar"a Europa, na verdade, servem para tornar a Europa ainda mais insegura.

Manlio Dinucci

Tradução: Maria Luísa de Vasconcellos | Fonte: Il Manifesto (Itália) | Fonte : "Assim, os EUA "tranquilizam" a Europa", Manlio Dinucci, Tradução Maria Luísa de Vasconcellos, Il Manifesto (Itália) , Rede Voltaire, 15 de Agosto de 2017, www.voltairenet.org/article197479.html

- em Pravda.ru

“PUTRUMP”!…



Martinho Júnior | Luanda

MEMÓRIAS OFICIAIS DOS “BEM-VINDOS AO INFERNO” DE HAMBURGO:

(DA LEVEZA DE PUTIN, AO PESO DE TRUMP… E À GRANDE DECISÃO DE MERKEL!)

Frente a frente no “bem-vindos ao inferno”, (os “dados estão lançados”):

PUTIN presente, com a botija leve, leve, cheia do gás de Astana, a coberto dum resoluto “ganha-ganha” irreversível da emergência multipolar!…

TRUMP presente, com a botija bem pesada, do gás inebriado com o enxofre das contradições, entre um irreversível suserano e a vassalagem boa pagadora e incondicional, mas cada vez mais indigesta, do cortejo europeu dos “servos da gleba” da hegemonia unipolar!...

Com um o híbrido “PUTRUMP” entre as mãos tornadas botija, “Quo vadis” desamparada MERKEL?!

A foto da “infernal” discussão, com o “mural” da história deste “bem-vindos ao inferno”:

PUTIN afirma com convicção, puramente e olhos nos olhos – “A MERKEL É MINHA”!

TRUMP convicto afirma, pendurado do seu aloirado penteado – “É MINHA A MERKEL”!

… E a pobre MERKEL desgrenhada e tímida (por isso não há foto da dona desse inferno), confirma em surdina (não vá o diabo tecê-las) e evitando sabiamente partirem-na ao meio (como a Alemanha da “Guerra Fria”):

“O PUTRUMP É MEU”!!!

O ESCORPIÃO MORDE QUEM O ALIMENTA



Em 2014 o governo estado-unidense organizou um golpe de estado na Ucrânia.  

Para derrubar o seu governo legítimo os experts da CIA, NED & Embaixada dos EUA em Kiev utilizaram uma corja de grupos nazi-fascistas, os quais hoje dominam grande parte do aparelho de estado ucraniano (sobretudo os organismos de segurança).  

No entanto, revela-se agora, uma empresa ucraniana vendeu à RDPC planos técnicos para a construção de motores de mísseis (ou mesmo forneceu motores já construídos). 

A ironia da situação é inescapável:   o imperialismo acalentou e estimulou o escorpião nazi e, pelo visto, este terá ajudado um dos inimigos dos EUA...

Resistir.info

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Quem ganha com os incêndios? | PERGUNTA SEM RESPOSTA E AS MÁS CONSEQUÊNCIAS À VISTA



Carlos Tadeu, Setúbal

Têm sido aos largos milhares os operacionais nos combates aos fogos em Portugal. No passado sábado foi batido o recorde de 268 ocorrências de fogos em todo o território nacional. Fogo de ignição espontânea? Mão criminosa? São muitos os que estão convencidos de que a maioria dos fogos têm origem em mão criminosa. Há os que dizem com objetividade que "A culpa não é do tempo. A meteorologia não provoca incêndios".

Isso mesmo é título na página da TSF de 13.08 que adianta que de “acordo com os dados da Autoridade Nacional de Proteção Civil, no sábado foi o dia do ano com mais incêndios: 268 ocorrências, que mobilizaram 6.553 operacionais.”

O que se suspeita com toda a legitimidade é que há algo ou alguém que de forma organizada dá origem a estes fogos. Essa pelo menos é a crença popular. Alguns eventuais incendiários estão referenciados e incriminados pelas autoridades policiais, se são ou não os culpados está por saber. O que não está por saber é que a quantidade de fogos é muito superior aos eventuais causadores dos incêndios. Nem está por saber que há fogos que são propagados e têm um “desenho” inicial em linha reta. A esses os populares dão-lhes o nome de “voadores” porque há quem diga que vê aviões a largarem fogo à floresta. Diz-se tanto que algumas versões deverão corresponder à realidade sobre o acontecido. É isso que importa investigar a fundo.

Um testemunho no Facebook dá a saber sobre isso, assim como a enorme desilusão que invadiu quem viu, deu conhecimento às autoridades, identificou-se e… nada mais soube, nem o contactaram. Eis o escrito:

“Eu há uns anos vi, no Guincho, um avião, daqueles amarelos usados para apagar incêndios, pegar fogo à Serra. Eu vi. Ninguém me contou. Vi e telefonei para a Judiciaria identificando-me e prontificando-me para dar testemunho. Até hoje!! Se os radares conseguem identificar os raios e as nuvens também conseguem identificar os aviões que passeiam por cima das florestas antes dos fogos. Ou pelo menos conseguem identificar os aviões que levantam voo dos aeródromos. Ou nem isso? Portugal está entregue à bicharada. (Francisco Múrias)”

Também no Facebook um outro desabafo a finalizar: “Cabe à PJ e às secretas que são pagas com o nosso dinheiro desmascarar quem manda e ateia fogos, principalmente os despoletados via aérea. Queremos ver finalmente resultados e apuramento da verdade.”

No caso de Sintra, volvidos alguns anos, talvez fosse esclarecedor ir fazer contas sobre os terrenos que estavam incluídos na “paisagem protegida” ou algo que se lhe assemelhasse, em que não era permitido construir… E agora, na atualidade, esses terrenos estão ou não urbanizados? Estão ou não pejados de habitações (vivendas) cujo acesso é só para os muito ricos?

Quem ganha com os incêndios? Pergunta que não tem resposta concretas, plausíveis, por parte dos altos responsáveis da governação e instituições envolvidas no “negócio” dos fogos e da floresta.

Madeira | ALBUQUERQUE E CAFÔFO VÃO SER RESPONSABILIZADOS OU A CULPA É DO CARVALHO?



Funchal: Queda de árvore faz 13 mortos e 50 feridos, informa Proteção Civil regional

Governo decreta 3 dias de luto regional. Presidente Marcelo vai à Madeira juntar-se às famílias enlutadas. Já se fala no eventual prejuízo para o turismo, que não, dizem responsáveis da Madeira. A queda de uma árvore da grande porte não vai afetar o turismo madeirense. É a crença experimentada.

"Queda de uma árvore de grande porte faz treze mortos e 50 feridos, sete dos quais em estado grave. Árvore caiu no Largo da Fonte, durante a procissão da Senhora do Monte. Era um carvalho com 200 anos que devia estar sinalizado como árvore a abater por ser considerada um perigo público se em queda descontrolada. Ao que indicam existe uma notificação judicial nesse sentido."

A propósito e deslumbrante é o título que se segue na TSF: Habitantes avisaram e Câmara respondeu: "É normal que caiam coisas das árvores" . É evidente que a culpa vai “morrer solteira”.

Também pode ler na TSF que “Um dos moradores desta zona do Funchal conta que já em março deste ano, num dia de ventos fortes, caiu um ramo de grande porte, com cerca de 12 metros de cumprimento.”

A notícia acrescenta ainda que “António Mendonça, entrevistado pela RTP Madeira, diz que a tragédia de hoje era previsível e explica que o carvalho já tinha sido sinalizado pelos habitantes junto da Câmara, quer na altura em que esta era liderada por Miguel Albuquerque, quer posteriormente com Paulo Cafôfo.

Este morador diz que existiu também uma notificação judicial em que a Câmara foi notificada para cortar essa árvore e outra, mas que nada foi feito. As resposta da autarquia, ainda segundo António Mendonça, não foram satisfatórias. No tempo de Miguel Albuquerque a resposta terá sido que "é natural que caiam coisas das árvores". Já durante o mandato de Paulo Cafôfo, que começou em 2013, terá sido dito que "as árvores estavam de boa saúde".

Para já temos a indiferença de tempos atrás de Miguel Albuquerque, que atualmente é o novo Alberto João Jardim da Madeira, e agora de um tal Cafôfo… Nada fofo era o carvalho caído que atingiu, a saber, 62 pessoas, levando consigo, para a morte, 13 das sobre quem se abateu.

À primeira vista temos, entre outros eventuais responsáveis, Miguel Albuquerque e Paulo Cafôfo. O que lhes acontecerá? Vão ser responsabilizados? Ora, ora… A culpa é do carvalho!

CT | PG | com TSF

Depois de Escrito - atualização

A ÁRVORE ERA “SAUDÁVEL”. PORQUE CAÍU?

Pouco tempo depois de citarmos acima o que continham as declarações constantes em TSF, das quais eram imputadas aos responsáveis da Câmara Municipal do Funchal, - o anterior e o atual, Albuquerque e Cafôfo - por não procederem ao abate do carvalho que  estava sinalizado para abater devido a constituir risco de queda descontrolada, foi desmentida tal versão em conferência de imprensa por Paulo Cafôfo. Versão que passamos a transcrever no essencial da informação da TSF.

“Funchal: Árvore não estava sinalizada como estando em perigo - Câmara do Funchal

"Nunca houve queixa com vista à limpeza ou abate" - Paulo Cafôfo, presidente da Câmara do Funchal.

O presidente da câmara do Funchal escalerceu que a árvore em causa era um carvalho, e não um plátano, e que o mesmo "apresentava uma copa verde e saudável, não apresentando anomalias. Nunca houve queixa com vista à limpeza ou abate".

Paulo Cafôfo adiantou que, a arvore não estava amarrada a qualquer cabo.

Teresa Alves | TSF”

Paulo Cafôfo acrescentou ainda nas suas declarações que o referido carvalho estava em terreno privado.

Independentemente das declarações que presumivelmente ilibam de responsabilidades o ex e o atual presidente camarário, é certo que a PGR já declarou que vai proceder a um inquérito.

Há questões que nos invadem por via das dúvidas. Uma delas é encontrar as razões da queda daquela enorme árvore, quase bicentenária, que na versão de Cafôfo estava saudável e isso era atestado pela sua copa verde. 

Presume-se que também estava devidamente segura, numa base sustentável que lhe permitia nutrir-se em prol da sua imponência saudável… 

Assim sendo há aqui um mistério que não explica a razão da árvore ter caído num dia que nem era por aí além ventoso. Talvez o inquérito encontre a resposta. Ou talvez a verdadeira resposta fique para as calendas gregas, para nunca mais. Fica a questão: se a árvore era saudável porque caiu?

Certo é que com a atualização proveniente da Proteção Civil regional temos a contar com 13 pessoas mortas e 49 feridas. Dos feridos há cinco estrangeiros. Alguns dos feridos estão em estado grave.

MM | PG | com TSF

POBROFOBIA | Passos Coelho não é racista, o seu preconceito é outro



Pedro Tadeu | Diário de Notícias | opinião

Pedro Passos Coelho disse num comício do seu partido que Portugal não é lugar para "qualquer um viver". Não, não vou acusá-lo de ser racista ou de ter um discurso xenófobo, apesar de a frase ter sido dita num contexto de crítica a uma nova lei sobre imigração e, por isso, poder soar a um insulto contra estrangeiros. Essas acusações contra Passos são bem capazes de ser injustas (ou pelo menos eu quero crer que sim) e a minha pergunta, neste momento, é outra: para além dos portugueses que já vivem em Portugal (presumo que o líder do PSD não pense em excluir algum, independentemente da ascendência, sexo, raça, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual), quem são as outras pessoas que Passos Coelho acha que têm direito a viver no nosso país?

Temos uma resposta nuns novos imigrantes criados pelo seu governo, pelo executivo do seu partido coligado com o CDS: os imigrantes beneficiários dos chamados vistos gold, pessoas que investem pelo menos meio milhão de euros a comprar uma casa (mesmo que ela valha, na realidade, metade desse valor) ou transfiram para o país pelo menos um milhão de euros (mesmo que não se conheça claramente a origem desse dinheiro), criando com esse investimento um mínimo de dez postos de trabalho (cuja qualidade e perenidade não é, sejamos francos, seriamente avaliada).
Este sistema já criou processos judiciais, ainda em curso, com antigos governantes e autoridades nacionais, em vários níveis de responsabilidade, a serem suspeitos de corrupção por concessão, fora da lei, dessas licenças de imigração.

A probabilidade, entretanto, de vários dos quase (estimo com base nas notícias de jornais) dez mil licenciados com uma autorização de residência em Portugal e de circulação livre pela União Europeia terem comprado, graças àquela lei, esses direitos para praticarem crimes é quase inevitável. As possibilidades são imensas e vão desde o óbvio "lavar" de dinheiro "sujo" até ao acesso a um área gigantesca, sem fronteiras e com dinheiro, para traficar, com maior facilidade, todo o género de coisas ilegais, dando espaço para o crime sofisticado e organizado (e até, eventualmente, cúmplice do terrorismo) explorar um novo filão.

Dir-se-á que não há medida de abertura à imigração que não traga o perigo da criminalidade, que os justos não devem pagar pelos pecadores e que os benefícios para o país de medidas como a dos vistos gold ultrapassam largamente os prejuízos que estes "efeitos colaterais" que descrevo possam trazer... Sou capaz de estar de acordo com tudo isso mas, se olhar para o que Passos Coelho disse no Pontal, no último fim de semana, o criador, com Paulo Portas, da lei dos vistos gold em Portugal não pode subscrever essas teses. Porquê?...

Vamos ler o que ele disse: "Porque é que não discutem na sociedade portuguesa as implicações que para a segurança do país a médio e longo prazo isso pode trazer? Da mesma maneira pergunto: o que é que vai acontecer ao país seguro que temos sido se esta nova forma de ver, a possibilidade de qualquer um residir em Portugal, se mantiver?"

Na altura da entrada em vigor da lei dos vistos gold, no início de 2013, não faltou gente a alertar Passos Coelho para o problema de criminalidade que este tipo de imigração certamente atrairia: além de muitos políticos, vários colunistas escreveram sobre o assunto. Pois nessa altura o então primeiro-ministro não quis "discutir na sociedade portuguesa as implicações que para a segurança do país a médio e longo prazo isso pode trazer?". E muito menos se perguntou sobre o que pode acontecer ao nosso "país seguro".

Passos Coelho não esteve preocupado com os criminosos que viriam viver para Portugal quando aprovou a lei dos vistos gold. Agora diz estar em causa a segurança do país com as novas regras para a imigração. Na primeira lei ignorou os efeitos colaterais. Na segunda lei só vê efeitos colaterais.

Se o que diferencia os imigrantes dos vistos gold dos imigrantes da nova lei da imigração, que transpõe uma diretiva comunitária, não é a raça ou local de origem (vêm, em ambos os casos, pessoas de todo o lado) nem o serem ou não criminosos (como já se viu), o que é que leva Passos Coelho a aceitar facilmente os primeiros e a ter receio do que possa acontecer com os segundos?

Para Passos Coelho a diferença entre a lei dos vistos gold e a nova lei da imigração, como é óbvio, não é a raça, é o dinheiro.

O líder do PSD não se importou de liberalizar a imigração de ricos, mesmo se isso facilitasse a vida a alguns criminosos, mas a imigração de pobres é coisa que o aborrece, e aí a questão da segurança já lhe serve de pretexto para a tentar impedir. Isto não é mesmo racismo nem é xenofobia, isto é preconceito contra os pobres.

À ATENÇÃO DA DIREITA RESSABIADA | A cunha de Assunção Cristas



Isabel Moreira | Expresso | opinião

Cunha. Foi a palavra feita figura de estilo que a líder do CDS utilizou para caracterizar a integração dos precários no Estado. Mais rigorosamente, a expressão de Cristas foi esta: “institucionalização da cunha”.

Assunção Cristas faz de vez em vez afirmações deste tipo. No PSD também não faltam ataques anacrónicos ao sindicalismo.

As afirmações são graves, ainda que não surpreendentes. Graves porque a democracia cristã e a social-democracia usavam saber (e defender) o papel histórico e permanente dos sindicatos numa democracia real.

O governo anterior demonstrou que a ideologia clássica dos dois partidos (PSD/CDS) foi substituída pela ideologia dos cortes. Cortes nos direitos dos mais fracos e aposta ideológica numa flexibilização laboral selvagem (aqui e ali travada pelo então odiado Tribunal Constitucional) na crença absurda (porque desmentida pela história) de que quanto mais flexibilidade laboral, mais empregabilidade.

Como se viu, a receita desumana teve o resultado oposto, como tantas pessoas advertiram, gente da área política de quem governava, e não apenas os “empecilhos” dos sindicatos.

Agora, na oposição, escutamos variadíssimas vezes o PSD a atacar o sindicalismo, o mesmo é dizer a atacar a sua própria história enquanto partido, atirando-se para um admirável mundo em que os trabalhadores devem “fazer-se à vida”.

O CDS aderiu ao estilo e, sem pudor por ter sido coautor da precaridade, atira-se ao programa de regularização extraordinária de vínculos precários na administração pública e no setor empresarial do estado. Neste sistema, regulado pela Portaria nº 150/2017, dá-se, evidentemente, um papel fundamental aos interessados, mas também se conta com as estruturas de representação coletiva dos trabalhadores, na medida em que estas podem conhecer e comunicar situações de precaridade de que tenham conhecimento. Pretende-se assim um sistema abrangente com a colaboração de todos, desde logo os que representam os trabalhadores e as trabalhadoras.

Acontece que para Assunção Cristas um sindicato representa um obstáculo ao seu mundo do cada um por si cheio da sorte que calhe ao mérito com que nasça.

Por isso, descaracteriza intencionalmente a função histórica e atual dos sindicatos e atreve-se a dizer que este sistema de regularização dos precários é a “institucionalização da cunha”.

É uma afirmação extremista, triste e em bom rigor ridícula. Usada como recurso retórico populista. Uma espécie de cunha oratória.

*Na foto: Salazar e os seus sicários nazi-fascistas ao estilo oculto de Passos, Cristas e outros desse jaez que "navegam" a coberto da democracia ainda existente em Portugal. (Pesquisa PG em Google)

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

O "PECADO" DA VERDADE | E o carro elétrico não nos libertará…



Para tentar salvar um modelo falido, indústria automobilística sugere que modelos elétricos pouparão o planeta. Por que a saída é ilusória. Quais as opções efetivas

George Monbiot | Outras Palavras | Tradução: Inês Castilho

Dizemos a nós mesmos que apreciamos a eficiência. Mas criamos um sistema de transporte cujo princípio é o desperdício. Carrocerias de metal (que aumentam a cada ano), cada uma carregando uma ou duas pessoas, viajam em paralelo para os mesmos lugares. Caminhões carregando mercadorias idênticas em direções opostas passam uns pelos outros em viagens de mais de 3 mil quilômetros. Empresas concorrentes cruzam as mesmas rotas de encomendas, em vans em grande parte vazias. Poderíamos, talvez, reduzir nosso movimento de veículos em 90% sem prejuízo do serviço, e com um grande ganho em nossa qualidade de vida.

Mas contestar essa forma peculiar de insanidade é, como sinto na pele, ser considerado insano. Veja como a publicidade está dominada pelas empresas que fabricam carros, e você começa a entender o impulso para assegurar que esse sistema ilógico persista. Olhe para o poder de lobby da indústria automobilística e seu apoio na mídia, e você vê por que vários planos para enfrentar a poluição parecem destinados a fracassar.

Sugira um sistema mais simples, e você será calado por pessoas insistindo que não querem viver numa economia planificada. Mas nesse aspecto (e outros) nós já vivemos numa economia planificada. Hoje os planejadores fazem algumas pequenas cocessões para ciclistas, pedestres e carros, mas seu objetivo primordial é maximizar o fluxo de veículos privados. Ao invés de encorajar o uso mais eficiente da infraestrutura existente, eles continuam aumentando o espaço de que a ineficiência precisa para expandir-se.